15/12/2018

Das singularidades às semelhanças identitárias

Em 2017, fiz duas viagens para São Tomé e Príncipe no âmbito de uma consultoria internacional sobre a população juvenil, encomendado pela UNICEF e, na altura, a grande discussão política nesse arquipélago andava à volta da "Conferência dos Parceiros ao Desenvolvimento" realizado em Londres, em outubro de 2015, integrado nas atividades da Agenda de Transformação no Horizonte 2030. Depois dos milhões gastos em strip tease diplomático (que também pode ser designado de turismo governamental), na prática, o empobrecimento da esmagadora maioria da população era visível e os milhões prometidos no tal encontro com os pontas de lança do eterno parceiro de subdesenvolvimento do continente continuavam encalhados. Um dos momentos posteriores viu-se este ano...

Por aqui, para lá do discurso institucional importado "do povo singular na maneira de ser, agir e pensar" reproduzido por uns tantos estudiosos da identidade cabo-verdiana, a realidade que nos bate à frende não tem nada de diferente com os ventos que sopram dos contextos que tanto queremos nos distanciar. 

Paris: Conferência Internacional de Doadores e Investimentos mobiliza 850 milhões de euros

12/12/2018

Da situação real do país (de ontem e de hoje)

O que há a dizer é que salvo algumas poucas excepções, o grande problema em Cabo Verde tanto em instituições públicas como privadas (e em algumas instituições internacionais a atuar no país que, na prática, estão mais voltadas para a promoção de políticas de subdesenvolvimento e confundem diplomacia pública com carnaval) é de liderança e de atitude na tomada de decisões, em parte, devido a uma certa monopolização na figura do "chefe" herdado do período colonial... e da perda de tempo em reuniões e representações institucionais como forma de sustentar a indústria do coffe breack que, na prática, resultam num oceano de nada e improdutividade institucional. Sem falar da segregação das competências que, junto com a segregação das oportunidades promovidas institucionalmente, tem amputado a vida de uma grande parte da juventude em particular e da população em geral. 

[Na imagem "O Leviatã". Autor desconhecido]

08/12/2018

15ª Assembleia Geral do CODESRIA, 17-21 dezembro 2018

Jovens, processos identitários e sociedades em movimento: um olhar sócio-antropológico sobre os movimentos juvenis urbanos na Praia, Cabo Verde será o título da minha comunicação na 15ª Assembleia Geral do CODESRIA, entre os dias 17 e 21, em Dakar, no Senegal, sob o tema África e crise da globalização

Adenda: livro de resumos.

[Na imagem cartaz do encontro]

02/12/2018

Nós e os discursos de conveniência

Apesar do desejo do primeiro-ministro, o que se constata é que Cabo Verde ainda é e vai continuar a ser nos próximos tempos um país repulsivo, principalmente para os cabo-verdianos. O grande desafio governamental, a meu ver, será responder a seguinte questão: como um país que nem sequer tem a capacidade de aproveitar as competências que cá estão (ou melhor dito, um país que tem a capacidade de segregar competências e oportunidades), devido à institucionalização dos esquemas clientelistas, pensa atrair competências da diáspora? E por falar em academia (se é que existe uma academia cabo-verdiana), o que há a dizer é que em tempos chegou ao país um quadro altamente formado e apesar de ter ficado por, pelo menos, duas vezes posicionado no topo dos ditos concursos públicos das instituições do ensino superior, foi ambas as vezes preterido por pessoas com competências bastante duvidosas, mas bastante bem conectadas. A solução foi re-imigrar... e este é apenas um de vários exemplos que não aparecem nas estatísticas oficiais. 

17/11/2018

Do USAID ao SOFA, passando pelos Corpos da Paz e a rede YALI

"O governo norte-americano é um dominador indireto excelente e habilidoso. Para fazer prevalecer os seus interesses energéticos, políticos e estratégicos Washington usa não só as manifestações do imperialismo clássico, como também implanta uma maquinaria diversificada, que vai desde a influência econômica até à presença militar e de segurança, através dos múltiplos discursos dos lugares-comuns universalistas: a preservação de paisagens e da biodiversidade, o desenvolvimento sustentável, a democracia, a boa governação e a promoção dos direitos humanos." - Pedro Baños, Asi se domina el Mundo, 2017. 

[Imagem apanhada na net]