27/09/2018

The revolution will not be televised

O assistencialismo mediático ou o espetáculo da caridade é definido como uma prática de legitimação social executada através dos meios de comunicação social de massa, hoje conhecido por redes sociais. Em termos reais, esta prática ajuda muito pouco, trazendo apenas benefícios pontuais e superficiais, mas sem transformar a sociedade. Trata-se, portanto, de um culto de personalidade e de criação clientelista com uma longa história nas ilhas, reatualizado pelos caciques partidários no pós-anos de 1990. Nos casos mais próximos de uma suposta emancipação social, resulta na criação de cidadãos inócuos... e o pior é quando se associa a sua pratica a um suposto ativismo político revolucionário. Adaptando Gil Scott-Heron há coisa, the revolution will not be televised...

[Imagem apanhada na net]

24/09/2018

Sobre a criminalidade e afins


Enquanto que nas ilhas, até onde sei, país normalmente posicionado nos lugares superiores do topo dos rankings de transparência, democracias e afins em África e arredores, a malta passa pelo governo e cargos administrativos estatais de topo, onde praticam descaradamente associação criminosa, falsificação, tráfico de influências, burla, peculato, branqueamento de capitais, etc e tal, não só no pasa nada como saem com estatuto de empresários, homens de sucesso ou pretos e mestiços honrados e de bem.  

[Na imagem membros dos Yakuza, 1985. Fofo: AP]

20/09/2018

Bombtrack

Terminado o teatro, PR ratifica a coisa. Ideologicamente coerente com o sistema partidário cabo-verdiano pós-pós-moderno e num contexto completamente diferente de março de 2015. Numa sociedade cada vez mais focada no ativismo self, um Bombtrack dos Rage Against the Machine, ideologicamente bem demarcada, talvez sirva para uma espécie de reflexão. 

[Imagem sacada na net]

31/08/2018

Criminologia contra-colonial

W.E.B. Du Bois, entre o final do século XIX, início do século XX, enumera cinco pontos necessários para se compreender e solucionar aquilo que na altura se chamava de problema negro: 1) o desenvolvimento histórico do problema afro-americano; 2) a emergência de estudos afro-americanos; 3) uma revisão crítica dos estudos sociais científicos sobre os afro-americanos pós-1987; 4) a criação e/ou identificação de uma teoria e metodologia que deveria ser empregue nos estudos afro-americanos em oposição aos estudos eurocêntricos; 5) a necessidade deses estudos serem desenvolvidos por pesquisadores negros.  

Atualmente, a criminologia negra proposta nos anos de 1990 por Katheryn Russel-Brown, com o objetivo de abordar a relação entre a questão racial e o crime, no que se refere ao envolvimento de negros com o sistema judicial e criminal a partir de uma perspetiva histórica e a criminologia feminista negra, que problematiza a presença das mulheres negras no sistema carcerário, são as perspetivas criminológicas que mais se aproximam da pesquisa crítica proposta por Du Bois.

Contudo, no caso do continente africano, o livro Counter colonial criminology: a critique of imperialism reason, de autoria do criminólogo nigeriano Biko Agozino, editor da revista online African Journal of Criminology and Justice Study, pode ser considerado a maior referência atual na literatura sobre o crime no mundo africano global. Através daquilo que designa de criminologia contra-colonial, epistemologicamente comprometida e empiricamente objetiva, Agozino entende que esta perspetiva além de trazer à discussão os crimes do passado colonial e suas consequências atuais, irá contribuir significamente para o desenvolvimento de uma criminologia descolonizada e pan-africana.
  

29/08/2018

O PR, o SOFA e o Governo.CV

Sobre a confissão da sua Excelência Presidente da República em relação ao SOFA, o que há a dizer é que num país pobre como Cabo Verde que ora anda de mão estendida ora de pernas abertas (quando não anda simultaneamente das duas maneiras), uma verdadeira revolução política seria acabar primeiro com a figura parasita do PR e, posteriormente, atribuir uma maior autonomia municipal, ao invés daquela coisa que dá pelo nome de governos regionais, mas não sem antes de combater aquilo que o MPD chamou na sua plataforma eleitoral (no entanto desaparecido do Programa de Governo) de incivilidades administrativas, ou dito de outra forma, caciquismo criminoso local, que aqui funciona como uma espécie de extensão pós-colonial dos morgadios antes liderados por homens honrados tementes a Deus.

Entretanto, Luis Filipe Tavares desmente Jorge Carlos Fonseca.

[Na imagem primeira página do Expresso das Ilhas, n. 874, de 29 agosto de 2018]