W.E.B. Du Bois, entre o final do século XIX, início do século XX, enumera cinco pontos necessários para se compreender e solucionar aquilo que na altura se chamava de problema negro: 1) o desenvolvimento histórico do problema afro-americano; 2) a emergência de estudos afro-americanos; 3) uma revisão crítica dos estudos sociais científicos sobre os afro-americanos pós-1987; 4) a criação e/ou identificação de uma teoria e metodologia que deveria ser empregue nos estudos afro-americanos em oposição aos estudos eurocêntricos; 5) a necessidade deses estudos serem desenvolvidos por pesquisadores negros.
Atualmente, a criminologia negra proposta nos anos de 1990 por Katheryn Russel-Brown, com o objetivo de abordar a relação entre a questão racial e o crime, no que se refere ao envolvimento de negros com o sistema judicial e criminal a partir de uma perspetiva histórica e a criminologia feminista negra, que problematiza a presença das mulheres negras no sistema carcerário, são as perspetivas criminológicas que mais se aproximam da pesquisa crítica proposta por Du Bois.
Contudo, no caso do continente africano, o livro Counter colonial criminology: a critique of imperialism reason, de autoria do criminólogo nigeriano Biko Agozino, editor da revista online African Journal of Criminology and Justice Study, pode ser considerado a maior referência atual na literatura sobre o crime no mundo africano global. Através daquilo que designa de criminologia contra-colonial, epistemologicamente comprometida e empiricamente objetiva, Agozino entende que esta perspetiva além de trazer à discussão os crimes do passado colonial e suas consequências atuais, irá contribuir significamente para o desenvolvimento de uma criminologia descolonizada e pan-africana.
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