31/07/2018

The Vietnam War

The Vietnam War (2017). Realizado por Ken Burns e Lynn Novick, a série retrata a carnificina da guerra do Vietnam (1961-1973) em busca de respostas sobre o que realmente aconteceu, o porquê da invasão norte-americana e da resistência em abandonar uma guerra sem sentido, destacando as razões vietnamita em iniciar uma luta armada contra a colonização francesa (colonização essa apoiada mais tarde militarmente pelos Estados Unidos), as mentiras compulsivas da administração norte-americana baseada numa suposta conspiração comunista global liderado por Moscovo e Pequim (conspiradores com quem o anti-comunista Nixon acabou por se aliar), as desigualdades de tratamento dos soldados negros na estrutura militar instalada no Vietnam, os violentos protestos anti-guerra, o escândalo watergate e os crimes de guerra em nome do "bem" perpetuados pelos militares norte-americanos.  

Algo que complementado com a leitura de "Quem governa o mundo?" de Noam Chonsky poderia servir de ponto de partida para uma discussão assumidamente ideológica acerca do SOFA e da crônica amnésia histórica dos dois maiores partidos políticos cabo-verdianos, suas claques e aficionados.

05/07/2018

5 de julho

Quantitativamente os dados do INE são elucidativos em relação aos ganhos da independência, mesmo sendo ela meramente simbólica. Ainda assim, qualitativamente, há 3 anos, enquanto o poder instituído celebrava os 40 anos da independência, uma parte da juventude praiense insistia na retórica da celebração dos 40 anos da dependência. Um parte dela hoje na rua. Há 7 anos (e não há 2 anos), Praia teve a maior enchente na rua e por detrás da coisa estavam gente ligada ao MPD, alguns hoje Ministros (sem esquecer o incentivo direto de UCS). Portanto, vir agora falar de partidarização amarela da manifestação, se não um exercício ignorante é de certeza desonesto. Não esquecer que em Cabo Verde o Estado é total. Ou melhor, o Partido é total. Ou melhor ainda, o partido é uma mera ferramenta nas mãos de grupos de interesses baseados em relações familiares e/ou de afinidades (o que torna interessante os processos de reconversão de capitais) com vista o acesso e a acumulação de recursos e, consequentemente, de poder. Assim, em Cabo Verde, bem como em muitos outros lugares que achamos ser culturalmente superiores, quem controla o Partido dominante controla o Estado e por extensão os recursos e, naturalmente, o poder. Isto vem acontecendo ao longo da história e não tem muito a ver com luta de classe tout court, a não ser quando enquadrado num exercício intelectual marxista importado. 

Em termos de manifestações de protesto pós-2008 em Cabo Verde, é evidente que o maior beneficiário foi o MPD. E muito por culpa do vazio deixado pela dita sociedade servil. Mesmo assim, como tenho dito e escrito, a vitória verde em março de 2016 apenas serviu para adiar o inevitável: uma provável explosão político-social. No entanto, há uns tantos desavisados que não perceberam que isto é um processo com início na segunda metade de 2000 (com raízes bem mais profundas) e não no pós-2016. O problema é que algumas análises ditas sociológicas, na maioria das vezes baseadas numa sociologia portátil, estão elas próprias partidarizadas. A sociologia, bem como todas as outras ciências sociais (inclusive as ditas exatas), para lá dos discursos de objetividade e neutralidade axiológica, sempre esteve ao serviço de ideologias coloniais e institucionais. Erro ou reprodução de uma cultura de mediocridade, como salientou certa vez Edgar Morin, é não ter consciência disso. 

[Imagem sacada no INE-CV twitter]

01/07/2018

Revolution starts in the streets

Em Cabo Verde todos estamos direta ou indiretamente dependentes do Estado, visto que ele é total. Contudo, há uns (uma minoria) que não se sentem acorrentados e outros (uma maioria) destinados a servir. Daí a metáfora sociedade servil de Suzano Costa. As marchas de protesto em Cabo Verde por não serem algo sistemático e funcionarem apenas como um instrumento de reação, por falta de uma agenda transformadora, destinam-se quase sempre a um momento orgásmico, bem como uma oportunidade de protagonismo umbiguista. Não sou eu a dizer, mas acontecimentos recentes assim o dizem. Sobre o próximo 5 de julho, até acho cheio de simbolismo etc e tal, ainda assim, não me aquece nem me arrefece porque sou mais para a cena da desobediência civil e ocupação permanente das imediações dos espaços nacionais de poder com uma pauta bem definida e completamente transparente.  

[Imagem sacada na net]

30/06/2018

Cabo Verde e a estupidez diplomática

Ouvir do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Defesa e Comunidades de Cabo Verde que os EUA é o único país capaz de garantir segurança a Cabo Verde seria estranho não fosse Luis Filipe Tavares o gajo a ocupar esse cargo. A sua irracionalidade derivado do seu txupa-obismu e miopismo público em relação aos EUA vem desde os tempos da TCV. O que choca é a sua tamanha incapacidade analítica não só da história, como da política e das relações internacionais. Aliás, em relação a isso, a Assembleia Nacional é um tesouro. Sobre os 200 anos de cooperação Cabo Verde/EUA (que até faz sentido, uma vez que a independência é meramente simbólica), esta aula de Abel Djassi Amado na primeira edição da Universidade Nhanha Bongolon diz tudo. 

Quanto ao acordo em si, convém primeiro lembrar que vem dos tempos de Zemas e sua clique de rapina. Depois, o que há a dizer é que isto anda algo parecido com aqueles adolescentes que vêem no gangue a única forma de se protegerem, mal dando conta que enquanto espaço histórico e culturalmente violento, um gangue é o último sítio capaz de garantir proteção a quem quer que seja. Muito pelo contrário!        

[Imagem apanhada na net]