23/05/2018

De gangues a organizações de rua: grupos de jovens armados e a construção de uma cultura de resistência

De gangues a organizações de rua: grupos de jovens armados e a construção de uma cultura de resistência. Artigo em que procuro, por um lado, refletir sobre a necessidade da recuperação do legado de W.E.B. Du Bois no estudo dos gangues de rua, que, no caso cabo-verdiano, obriga-nos à mobilização dos conceitos de identidade racial, de gênero e de resistência como alternativa teórica para uma melhor compreensão sobre a apropriação da palavra thug pelos jovens em situação de desafiliação e, por outro, através da discussão sobre a adaptação da teoria dos movimentos sociais no estudo dos gangues, procuro fugir às interpretações sociológicas conservadoras e moralistas que normalmente são reproduzidas nos estudos sobe a delinquência juvenil em Cabo Verde, na tentativa de perceber em que medida a estética politizada do gangsta rap difundido por Tupac proporcionou a esses jovens um sentido e uma consciência histórica no processo de reconstrução da sua identidade social e política.

Um olhar alternativo em relação ao debate sobre a criminalidade urbana em Cabo Verde e em modo busca de elementos para a construção de uma agenda de política colaborativa de segurança comunitária e urbana,

[Na imagem Spasu Triseru Mundu, 2015. Foto: RWL]

14/05/2018

Da série "raízes"...

A primeira vez que ouvi falar de raízes como pano de fundo para um evento de promoção desta coisa chamada inovação etc e tal foi em 2009, nos bastidores do Festival Hip Hop Konsienti, liderado por Dudu Rodrigues. Tinha algo a ver com o passado esclavagista das ilhas, seu legado e a capacidade criativa de superação do cabo-verdiano comum, longe das frases feitas institucionalizadas e institucionalizantes. 

Acho interessante essa cena do TEDxPraia, contudo, uma aula de história crítica não custava nada à malta-organizativa da coisa. Dizem eles que "nenhum país poderá avançar com clareza e projetar o seu futuro com audácia e inovação sem conhecer, de antemão, os traços do seu passado". Este passado, definido pelos inovadores do pedaço, é de que "Cabo Verde é um país descoberto e construído por navegadores portugueses, entre outras nacionalidades (que não as africanas) que pelas suas águas passaram (a escravatura, essa violência inventada por essa gente bloqueadora do desenvolvimento e pouco dado a inovações, empreendedorismos e afins), carrega na sua essência o encanto pelas viagens, tanto por prazer, como pela luta por uma vida melhor (a emigração forçada, também inventada por essa gente primitiva que leu muita literatura negra diasporizada)". 

Não sei, mas acho que a malta ou assistiu poucas aulas de história, mesmo aquela dos descobrimentos dado na Escola Pós-Colonial, ou é simplesmente intelectualmente inconsciente ou mesmo inconsistente. Provavelmente a higienização intelectual importada da literatura brasileira nos anos de 1930 deve ser urgentemente considerado como um problema sócio-histórico nas ilhas. Quanto a isso, no prelo um artigo abusado em parceria com Alexssandro Robalo para (re)abrir as hostilidades... até lá, fiquemos com a clareza da malta... 

[Na imagem Raízes de Dudu Rodrigues, 2009]

05/05/2018

Karl Marx... 200 anos depois de seu nascimento

Karl Marx nasceu a 5 de maio de 1818 e não obstante as tentativas provincianas de um punhado de pseudo-analistas das ilhas em criminalizá-lo, a sua análise socioeconômica é tão atual hoje como foi ontem. Por isso, é com satisfação ter tomado parte do bando que pensou e organizou a conferência alusiva à sua data de nascimento (ver aqui), com o apoio da Livraria que carrega o nome de um comunista cabo-verdiano. Embora não seja um marxista, a sua influência é evidente nos meus trabalhos, não obstante a sua visão eurocêntrica e, por vezes, racista, ou não fosse ele um homem do seu tempo e espaço social. Contudo, longe da conferência sobre Marx ser uma apologia ao socialismo ou comunismo como se especulou nas últimas semanas, tratou-se tão-somente de um espaço subversivo e reflexivo sobre o momento sociopolítico global. 

De tudo o que se disse na parte da discussão, destaco o seguinte: Marx tem sido culpado de todo o tipo de mal que se fez em nome do socialismo ou comunismo. Contudo, nesta mesma base, esses bons cristãos, católicos e democráticos, portanto, homens negros honrados e do bem, que de pensamento próprio tem muito pouco, em nenhum momento se lembram de acusar Cristo de todo o tipo de mal que se fez em nome do cristianismo, em que se destacam as cruzadas, o sistema esclavagista e a inquisição.    

[Na imagem um dos cartazes da conferência] 

04/05/2018

Da estupidez

Em tempos, coisa de dois anos mais coisa menos coisa, soube que um "professor universitário" cabo-verdiano disse numa sala de aula que prova de que o negro é atrasado em termos intelectuais é o fato de existir menos de 1% de intelectuais negros no universo da intelectualidade mundial. Hoje, numa outra sala, soube que um outro "professor universitário" associou o fenômeno kotxi po a uma manifestação de incivilidade e considerou o espaço da sua performance como propício ao desenvolvimento de atividades delinquentes. Não sei se vale a pena qualquer comentário perante tamanha estupidez, nem sei se os ditos cujos são referências, em termos acadêmicos, a alguém. Apenas penso que o nível do ensino superior de um país também é medido pelas mentes que enfeitam as suas instituições.  

[Imagem sacada da net]

30/04/2018

O Som do Tempo

O Som do Tempo (2017). Realizado por Arthur Moura, o filme retrata o desenvolvimento do movimento hip-hop no Rio de Janeiro, Brasil. A parte final, sobre a mercantilização e a "pop-larização" do rap, daria uma boa reflexão sobre a coisa feita por cá.  

[Na imagem capa de O Som do Tempo]