22/02/2018

Fazer cocô é obrigatório. Fazer merda é opcional

O relatório do Banco Mundial de 2012 aponta a precariedade dos docentes do ensino superior em Cabo Verde, inclusive na universidade pública, como um obstáculo ao desenvolvimento da área, visto que o regime a tempo parcial faz com que raramente os docentes consigam preparar adequadamente as aulas, reunir-se com os estudantes, participem nos comitês acadêmicos da instituição ou conduzir pesquisas. Diz também o relatório que esta precariedade estende-se aos docentes com contrato integral, na medida em que são na sua maioria de um a dois anos, o que não contribui para o incentivo de tomarem iniciativas, de serem inovadores ou de investirem no desenvolvimento da instituição. Obviamente que isto já sabíamos, mas dito pelo BM chama a atenção da malta, eles que tanto gostam das coisas ditas por gente de fora. Contudo, há outras dimensões de precariedade que o relatório não identifica: 1) a resistência das instituições de ensino superior em contratar doutores, mesmo que a tempo parcial, com argumentos de saneamento orçamental. Com receio de perder a ocupação, no caso da malta sem outras opções, aceita-se um salário de licenciado ou mestre. 2) os casos de alguma preferência de contratação da malta com cargo público, o que facilita os lobbies. Como salienta Jean Marc-Ela, a migração entre as universidades e o aparelho do Estado no contexto africano é um dos entraves do desenvolvimento da coisa (que no nosso caso convém ser relacionado com a questão da representação de poder), sem mencionar a questão do crédito de favores.

Isto a propósito desta afirmação do premier português sobre a precariedade no ensino superior no espaço referência da malta. Por cá, os instrumentos existem e, portanto, é uma mera questão de vontade política ao invés da reprodução do discurso do mais do mesmo, já que na prática, o Estado tem sido, direta ou indiretamente, o maior subsidiador da coisa.   
[Imagem sacada na net]

16/02/2018

Publicado o artigo "Rap and the representation of public space in Praia city"

Publicado em Inglaterra, pela Sean Kingston Publishing, o livro "Lusophone hip-hop: 'who we are' and 'where we are': identity urban culture and belonging", em que participo com o artigo "Rap and the representation of public space in Praia city", escrito em 2012, uma primeira reflexão exploratória sobre uma das dimensões dos processos de afirmação social dos jovens na cidade da Praia.

[Na imagem Capa do Livro]

05/02/2018

Praia e a população infanto-juvenil desaparecida


O estudo que suportou o Plano Nacional de Combate à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes, realizado em 2014, apontou para a existência de vários casos de desaparecimento de crianças e adolescentes em Cabo Verde, que as autoridades policiais alegavam se tratar, na maioria das vezes, de fugas provisórias das mesmas e de falhas na comunicação entre familiares e vizinhos. Contudo, verificou-se no estudo que muitos casos destes desaparecimentos nunca foram resolvidos. A falta de sistematização das informações policiais não permitiu, na altura, quantificar estes casos, de modo a possibilitar uma análise mais exaustiva desta dimensão do estudo. 

[Imagem sacada na net]

16/01/2018

Mia Couto, Cabo Verde e colonização do pensamento

Os cidadãos cabo-verdianos receberam cidadania portuguesa em 1914 como exemplo de assimilação bem sucedida. Como escreve Pedro Rabaçal, na obra Portugueses em África, aquilo que parecia ser óbvio aos olhos dos europeus, era negado pelos cabo-verdianos: não se consideravam africanos, mas portugueses. Contudo, como afirmou Abílio Duarte certa altura, apesar das ilhas tivessem sido apresentadas como um sucesso das políticas assimilatórios, na prática, a sua população foi deixada entregue à miséria. "Os cabo-verdianos adotaram tanto da cultura portuguesa que se escandalizaram aquando da Exposição Colonial de Paris (1931) em que um quadro mostrava a cultura da purgueira por um negro de tanga, vestimenta fora de moda até entre os africanos mais pobres e puros de raça" (p. 330). Como refere Rabaçal, a elite local se indignou tanto com o cenário apresentado em Paris que um dos seus membros proeminentes afirmou que "a incultura em matéria colonial é vulgaríssima e das colônias só se sabe que são terra de pretos". 


[Imagem sacada na net]

15/01/2018

West Africa - The region's pivotal role in international drug trafficking


Falar de Cabo Verde enquanto um hub de tráfico internacional de cocaína ou enquanto uma narco-sociedade poderá chocar alguns desavisados, contudo, o que o campo me tem mostrado é que refletir sobre o espaço rural e/ou urbano cabo-verdiano ignorando estas questões é um exercício meramente de masturbação social.  

[Na imagem Mapa de Tráfico Mundial de Cocaína, 2013]

02/01/2018

Territórios de resistência

No aquecimento final de escrita da Tese, "Territórios de Resistência: cartografia política das periferias urbanas latino-americanas" de Raúl Zibechi é daquelas obras inspiradoras de suporte para repensar o território e as práticas urbanas em Cabo Verde, sobretudo quando a lente orientadora dos estudos, opiniões e políticas públicas sobre o assunto é, na esmagadora maioria das vezes, eurocentrada e patriarcal, ancorada num discurso ultraliberal bastante infértil e preocupadamente desadequado ao contexto.  

[Na imagem Praia City. Foto: RWL]

30/12/2017

Rewind | 2017

Final do ano e época de relembrar publicações realizadas em 2017:

  • "Rap e pesquisa etnográfica", na Revista Desafios, da Uni-CV.
  • "Foreman of the empire? Re-analysis of the archipelago of Cape Verde", com Odair Barros Varela, no CEsA Workong Paper, do ICIEG;
  • "Gangues de rua: breve revisão da literatura e aproximação ao caso cabo-verdiano", na coletânea Estudos em comemoração do X aniversário do ISCJS: dinâmicas sociológicas, Estado e direito, do ISCJS.

Assim como comunicações em conferências e seminários internacionais:

  • "Netus di Cabral i rivuluson. Os jovens e os protestos públicos em Cabo Verde", no International Conference Activism in Africa, no ISCTE-IUL; 
  • "O que são periferias, afinal, e qual seu lugar na cidade?", I Seminário Internacional IMJA, na Maré do Rio de Janeiro;
  • "Violência(s), jovens e espaço urbano: uma análise dos gangues de rua na cidade da Praia, Cabo Verde", no Seminário de Tese de Doutoramento em Estudos Urbanos, na FCSH-UNL; 
  • "Over the seas - street art beyond Europe" no FRESH STREET#2 - International Seminar for the Development of Street Arts, no EUROPARQUE de Santa Maria da Feira; 
  • "Identidade thug e o estudo das violências em Cabo Verde: elementos para a emergência de uma sociologia de transgressão, no ICS/UnB; 
  • "Movimentos sociais e a luta antirracista" no I Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas: África(s). Brasil e Portugal, na UnB.
[Imagem sacada da net]

27/12/2017

Mudam-se os tempos, mantêm-se os discursos

Há dias, a propósito das intervenções camarárias na zona de Ponta Belém, no Plateau, o PR da CMP, entre um discurso meio disparatado sobre o estudo do Provedor de Justiça em relação ao EMEP e o derrube da faixa de bloqueio de segurança da Avenida de Lisboa, disse que a dita intervenção tinha a ver com o fato da zona padecer de problemas sociais graves. Não me interessa aqui dissertar sobre a noção de problema social do Senhor PR, contudo, o interessante no seu discurso é a reprodução histórica do discurso de espaços marginalizados. Em 1863, cinco anos após a elevação da Praia à categoria de cidade, o então PR da Câmara determinava: "que no caminho de Fonte Ana e sítio denominado de Ponta Belém, se faça construir um pátio murado que sirva para depósito geral, onde sejam lançados todos os despejos de lixos e imundices da cidade". Tanto Ponta Belém como Madragoa, ambos situados nas pontas laterais do Planalto da Boa Esperança (aka Plateau), eram, por isso, consideradas zonas periféricas da cidade "com ruas estreitas, becos e pátios, habitadas por gente pobre que fogem um pouco à rigidez da quadrícula da cidade", sendo estes os únicos locais onde se permitiam que as "mulheres toleradas" (vulgo prostitutas) fossem viver. Curiosamente, Madragoa viu com o tempo a sua paisagem social mudar, enquanto que Ponta Belém não. Assim se entende a reprodução do discurso do atual PR da CMP.   

[Na imagem Cidade da Praia, no ano de 1975, vista mais ou menos da Achadinha. Foto apanhada no mural de J.Rex, que também a apanhou no mural de outra pessoa]

18/12/2017

Sim, delinquentes são os outros - parte 3

Há dias, acho que em Brasília, alguém disse que o discurso da contemporaneidade é banhado pela ideia do Estado de Direito, mas que na prática aquilo com que deparamos diariamente é um Estado de Privilégios. O que este estudo da Provedoria de Justiça sobre a EMEP vem mostrar é precisamente a confirmação daquilo que temos denunciando há já algum tempo. Uma Câmara Municipal que ostentativamente legitima uma empresa fora de lei gerida por um extorsionista de colarinho branco. Episódios que servem na perfeição como exemplos nas aulas de criminalidade organizada, quando o assunto é crime de colarinho branco ocupacional e corporativo (organizacional). 

[Imagem apanhada na net]

14/12/2017

"Dinâmicas Sociológicas, Estado e Direito" apresentado amanhã no ISCJS

Amanhã será apresentado o livro "Dinâmicas sociológicas, Estado e Direito. Estudos em comemoração do X aniversário do ISCJS", que conta com o artigo intitulado "Gangues de rua: breve revisão da literatura e aproximação ao caso cabo-verdiano", partes da Tese de Doutoramento em construção, em que a partir da revisão de literatura sobre o estudo dos gangues de rua, evidencio a pertinência da reformulação teórica no estudo da criminalidade urbana em Cabo Verde e onde a partir de um exercício crítico aos estudos ditos sociológicos que legitimam a tese da "desestruturação familiar" e se inscrevem numa extensão de um modelo de governamentalidade da criminalidade juvenil, ou melhor, numa caixa-de-ressonância dos discursos governamentais, apresento novas alternativas de análise e novos cenários que desafiam a segurança pública nacional e regional, na forma como ela tem sido pensada.     

[Na imagem Capa e Contracapa do Livro do ISCJS]

11/12/2017

Elementos para o desenvolvimento de uma sociologia de transgressão

Ka Ta Da de Hélio Batalha como introdução da minha fala no painel "Movimentos Sociais e Lutas Antirracista", no "I Seminário Tecendo Redes Antirracistas: África(s), Brasil e Portugal", na Universidade de Brasília, em que a partir do termo mandjaku construído em oposição ao termo cabo-verdianidade, discuto a hierarquia da morabeza nas ilhas enquanto atualização da hierarquia racial historicamente legitimada, reproduzido internamente através da distinção entre sanpadjudu e badio ou através da distinção entre kopu leti e identidade thug. Uma parte do meu trabalho de Doutoramento, em que através daquilo a que designo de sociologia de transgressão, inspirado nos ensinamentos de Jean-Marc Ela e o seu apelo ao anarquismo epistemológico, dialogo com a perspetiva contra-colonial de Nego Bispo, de modo a contornar as perspetivas pós-coloniais e de-coloniais de matriz eurocêntrica.    

[Imagem apanhada na net]

06/12/2017

Working paper CEsA, nº 161, Foreman of the empire?

Publicado em formato Working Paper pelo CEsA/CSG/ISEG-ULisboa, o artigo "Foreman of the empire? Re-analysis of the Readmission Agreement with the European Union and the repatriation in the archipelago of Cape Verde", escrito em parceria com Odair Barros Varela, em que a partir de dois projetos de pesquisa desenvolvidas entre os anos de 2012 e 2013 ("Facilitation of intra-regional labo migration in the ECOWAS region" - the case of Cape Verde e "Para além das remessas. A consolidação da sociedade cabo-verdiana da diáspora e as transformações sócio-culturais e políticas em Cabo Verde"), se questiona até que ponto o cenário do Acordo de Readmissão entre Cabo Verde e a União Europeia (especificamente a parceria de mobilidade) e as políticas de contenção de migração e gestão dos repatriados/deportados nas ilhas, se está ou não a (re)transformar Cabo Verde num "capataz do império", isto é, numa guarda pretoriana numa das fronteiras mais avançadas da Europa.

[Na imagem I Came I Saw I Got Deported by Mogul]

02/12/2017

Sim, delinquentes são os outros - parte 2

Há duas semanas, o Gestor da EMEP tinha dito que não iria falar sobre o assunto. Provavelmente, a CMP, o grande responsável por toda esta situação, pede ao homem para dizer algo. Sobre esta explicação, apenas confirma o seu legado de prática de extorsão legitimada pela CMP e pelo Sistema de Justiça. Vamos por partes: 1) diz o homem que a EMEP foi criada para disciplinar o estacionamento no Plateau, que era um caos. Ótimo. Contudo, a pergunta que fica é quem irá disciplinar as incivilidades do senhor Fernandes. 2) Que eu saiba, ninguém negou pagar o dístico de morador. O que acontece é que, em alguns casos, o senhor recusa conceder dísticos por supostas multas. Por exemplo, alguém residente pede um dístico, entrega os documentos exigidos e o homem diz que estes não servem (incluído a declaração de residência da CMP, o que pode ser interpretado como que chamar os serviços camarários de corruptos). Pede outros, a pessoa vai pagando estacionamento durante mais de três meses. Uma vez ou outra, recebe uma multa que vai se acumulando. Ao acumular, decide conceder o dístico, mas sob condição de pagar uma multa de centenas de contos. Este tipo de prática tem um nome. EXTORSÃO. Punido no código penal, o que faz dele um Fora da Lei. 3) Mesmo que as multas fossem legais, que não o são, existe um protocolo jurídico que a EMEP deverá seguir. Ele não o segue e atua. Mas, o munícipe vítima de extorsão e roubo institucional, ao seguir os corredores da justiça, depara-se com a burocracia colonial cabo-verdiana, burocracia que o senhor EMEP não está disposto a seguir. 4) Alguém diz ao senhor Fernandes que se a rua é pública, então ninguém deve pagar nada. Uma aulinha básica a este senhor sobre a diferença entre um bem público e um bem privado não custava nada. 5) Diz estar aberto ao diálogo, mas que não se vai render. Nem deste lado está previsto rendição e na falha da justiça pública, justiça privada se combate com contra justiça privada. 6) O PR da Pró-Praia, desempenha neste processo apenas a sua obrigação que é a defesa dos interesses dos munícipes ante delinquentes institucionais. Eu, pessoalmente, não tenho nada contra a EMEP ou a CMP, nem devo-os nada, mas, abomino delinquentes de colarinho branco, umas das principais razões da existência da outra delinquência, que se diz estar a combater.

[Na imagem Gangland East St. Louis Ghetto]

01/12/2017

Seminário do ECOA

Na próxima terça-feira, 05, apresento no seminário do Laboratório de Etnologia em Contextos Africanos, sediado no Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília, a comunicação "Identidade thug e o estudo das violências em Cabo Verde: elementos para a emergência de uma sociologia de transgressão", parte do meu projeto de doutoramento.

[Na imagem Cartaz de divulgação do Seminário do ECOA]

28/11/2017

Manifestação contra a gestão criminosa dos parquímetros no Plateau

A EMEP foi criada para organizar os estacionamentos no Plateau. Até aí tudo bem. Contudo, através de uma gestão criminosa, legitimada pela CMP e pelo Sistema de Justiça, o homem que se diz Diretor da coisa, tem recorrido constantemente à prática de extorsão para roubar os munícipes, principalmente aqueles que vivem e trabalham no Plateau. Portanto, em solidariedade para com os lesados do crime institucional estabelecido nas ilhas, associo-me à chamada do Provedor da Praia para a MANIFESTAÇÃO CONTRA A GESTÃO CRIMINOSA DOS PARQUÍMETROS NO PLATEAU. Na quinta-feira, 30, às 17:00, na Praça Alexandre Albuquerque, no Plateau. Concentração a partir das 16:30.

[Na imagem Abuso da EMEP, NÃO!]

26/11/2017

Da série "achologia hi-tech"

O estudo sobre o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes de 2014 (que sustentou o Plano Nacional de Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes) e o estudo sobre os cuidados de saúde, incluindo a saúde sexual reprodutiva de 2015 apontam para indícios de turismo sexual em Cabo Verde. Sem falar dos casos em que o próprio Estado funciona como uma espécie de "proxeneta". Os campos de pesquisa destes estudos foram as cidades da Praia, Assomada, São Filipe, Mosteiros, Sal Rei, Santa Maria, Mindelo e Vila do Maio. Contudo, este tal de Humberto Lélis, baseado num bem apurado "achómetro hi-tech" diz que tal não existe e que não passam de relatos mitos.

Adenda: e existe ainda o artigo de José Carlos dos Anjos, "A eclosão do turismo sexual em Cabo Verde", quem tem como base, entre outros trabalhos, o estudo diagnóstico da situação de vulnerabilidade das crianças em situação de rua face às IST/VIH/SIDA  de 2005.

24/11/2017

I Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas: África(s), Brasil, Portugal

Entre 6 e 8 de dezembro, na Universidade de Brasília, no Brasil, o I Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas: África(s), Brasil, Portugal. Participarei como palestrante na mesa "Movimentos sociais e a luta antirracista", juntamente com Mamadou Ba e outros dois colegas brasileiros, e, como debatedor, ao lado de Miguel de Barros, na fala da jornalista Joana Gorjão Henriques, sobre "Racismo em português: o lado esquecido do colonialismo".

[Imagem sacada na net]

18/11/2017

Hip hop e produção acadêmica

Este mês de novembro, considerado mês do hip hop, marca uns 30 e tal anos da presença desta cultura urbana em Cabo Verde, já que a sua entrada nas ilhas aconteceu nos anos de 1980 e não nos anos de 1990, como às vezes ouço. Em termos de produção das ciências sociais, o rap tem sido enquadrado nos estudos culturas e em Cabo Verde, apesar de já haver estudos recentes no âmbito cultural, em que na esteira da proposta teórica de Stuart Hall reinterpreta-se temas como identidade e hibridismo cultural, embora faltando o carácter etnográfico, o estudo do rap (e de outras formas de arte e culturas urbanas) é ainda encarado como algo sem sentido e pouco acadêmico. Ainda assim, começa a surgir algumas publicações acadêmicas e alguns trabalhos monográficos de final de curso, em que destaco os meus trabalhos:

2017: Rap e pesquisa etnográfica, Revista Desafios, Cabo Verde.
2015: Cultura de rua e políticas juvenis periféricas: aspetos históricos e um olhar ao hip hop em África e no Brasil, Revista Famecos, Brasil (com R. Martins e M. Barros) .
2015: Do finason ao rap: Cabo Verde e as músicas de intervenção, Buala, Portugal.
2015: Lógicas de desafiar a mudança nas "periferias" do espaço urbano em (i)mobilização, In: Expressões artísticas urbanas: etnografia e criatividade em espaços atlânticos, Brasil.
2012: Rappers cabo-verdianos e participação política juvenil, Revista Tomo, Brasil.
2012: Rap Kriol(u): o pan-africanismo de Cabral na música de intervenção juvenil na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde, Revista de Estudos AntiUtilitaristas e PosColoniais, Brasil (com M. Barros).
2012: Cabo Verde. Rap dos anos de 1990: o fenómeno Tchipie na reconstrução e representação da identidade feminina e de resistência, Buala, Portugal.
2011: Tribos urbanas da Praia: os casos dos thugs e dos rappers, In: e-book_In Progress, Portugal. 

[Na imagem Hip Hop Konsienti by Dudu Rodrigues, 2009].