O relatório do Banco Mundial de 2012 aponta a precariedade dos docentes do ensino superior em Cabo Verde, inclusive na universidade pública, como um obstáculo ao desenvolvimento da área, visto que o regime a tempo parcial faz com que raramente os docentes consigam preparar adequadamente as aulas, reunir-se com os estudantes, participem nos comitês acadêmicos da instituição ou conduzir pesquisas. Diz também o relatório que esta precariedade estende-se aos docentes com contrato integral, na medida em que são na sua maioria de um a dois anos, o que não contribui para o incentivo de tomarem iniciativas, de serem inovadores ou de investirem no desenvolvimento da instituição. Obviamente que isto já sabíamos, mas dito pelo BM chama a atenção da malta, eles que tanto gostam das coisas ditas por gente de fora. Contudo, há outras dimensões de precariedade que o relatório não identifica: 1) a resistência das instituições de ensino superior em contratar doutores, mesmo que a tempo parcial, com argumentos de saneamento orçamental. Com receio de perder a ocupação, no caso da malta sem outras opções, aceita-se um salário de licenciado ou mestre. 2) os casos de alguma preferência de contratação da malta com cargo público, o que facilita os lobbies. Como salienta Jean Marc-Ela, a migração entre as universidades e o aparelho do Estado no contexto africano é um dos entraves do desenvolvimento da coisa (que no nosso caso convém ser relacionado com a questão da representação de poder), sem mencionar a questão do crédito de favores.
Isto a propósito desta afirmação do premier português sobre a precariedade no ensino superior no espaço referência da malta. Por cá, os instrumentos existem e, portanto, é uma mera questão de vontade política ao invés da reprodução do discurso do mais do mesmo, já que na prática, o Estado tem sido, direta ou indiretamente, o maior subsidiador da coisa.
Isto a propósito desta afirmação do premier português sobre a precariedade no ensino superior no espaço referência da malta. Por cá, os instrumentos existem e, portanto, é uma mera questão de vontade política ao invés da reprodução do discurso do mais do mesmo, já que na prática, o Estado tem sido, direta ou indiretamente, o maior subsidiador da coisa.
[Imagem sacada na net]

















