16/01/2018

Mia Couto, Cabo Verde e colonização do pensamento

Os cidadãos cabo-verdianos receberam cidadania portuguesa em 1914 como exemplo de assimilação bem sucedida. Como escreve Pedro Rabaçal, na obra Portugueses em África, aquilo que parecia ser óbvio aos olhos dos europeus, era negado pelos cabo-verdianos: não se consideravam africanos, mas portugueses. Contudo, como afirmou Abílio Duarte certa altura, apesar das ilhas tivessem sido apresentadas como um sucesso das políticas assimilatórios, na prática, a sua população foi deixada entregue à miséria. "Os cabo-verdianos adotaram tanto da cultura portuguesa que se escandalizaram aquando da Exposição Colonial de Paris (1931) em que um quadro mostrava a cultura da purgueira por um negro de tanga, vestimenta fora de moda até entre os africanos mais pobres e puros de raça" (p. 330). Como refere Rabaçal, a elite local se indignou tanto com o cenário apresentado em Paris que um dos seus membros proeminentes afirmou que "a incultura em matéria colonial é vulgaríssima e das colônias só se sabe que são terra de pretos". 


[Imagem sacada na net]

15/01/2018

West Africa - The region's pivotal role in international drug trafficking


Falar de Cabo Verde enquanto um hub de tráfico internacional de cocaína ou enquanto uma narco-sociedade poderá chocar alguns desavisados, contudo, o que o campo me tem mostrado é que refletir sobre o espaço rural e/ou urbano cabo-verdiano ignorando estas questões é um exercício meramente de masturbação social.  

[Na imagem Mapa de Tráfico Mundial de Cocaína, 2013]

02/01/2018

Territórios de resistência

No aquecimento final de escrita da Tese, "Territórios de Resistência: cartografia política das periferias urbanas latino-americanas" de Raúl Zibechi é daquelas obras inspiradoras de suporte para repensar o território e as práticas urbanas em Cabo Verde, sobretudo quando a lente orientadora dos estudos, opiniões e políticas públicas sobre o assunto é, na esmagadora maioria das vezes, eurocentrada e patriarcal, ancorada num discurso ultraliberal bastante infértil e preocupadamente desadequado ao contexto.  

[Na imagem Praia City. Foto: RWL]

30/12/2017

Rewind | 2017

Final do ano e época de relembrar publicações em 2017:
  • "Rap e pesquisa etnográfica", na Revista Desafios, da Uni-CV.
  • "Foreman of the empire? Re-analysis of the archipelago of Cape Verde", com Odair Barros Varela, no CEsA Workong Paper, pelo CEsA/SCG/ISEG-ULisboa;
  • "Gangues de rua: breve revisão da literatura e aproximação ao caso cabo-verdiano", na coletânea Estudos em comemoração do X aniversário do ISCJS: dinâmicas sociológicas, Estado e direito, pelo ISCJS.
Assim como comunicações em conferências e seminários internacionais:
  • "Netus di Cabral i rivuluson. Os jovens e os protestos públicos em Cabo Verde", no International Conference Activism in Africa, no ISCTE-IUL; 
  • "O que são periferias, afinal, e qual seu lugar na cidade?", I Seminário Internacional IMJA, na Maré do Rio de Janeiro;
  • "Violência(s), jovens e espaço urbano: uma análise dos gangues de rua na cidade da Praia, Cabo Verde", no Seminário de Tese de Doutoramento em Estudos Urbanos, na FCSH-UNL; 
  • "Over the seas - street art beyond Europe" no FRESH STREET#2 - International Seminar for the Development of Street Arts, no EUROPARQUE de Santa Maria da Feira; 
  • "Identidade thug e o estudo das violências em Cabo Verde: elementos para a emergência de uma sociologia de transgressão, no ICS/UnB; 
  • "Movimentos sociais e a luta antirracista" no I Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas: África(s). Brasil e Portugal, na UnB.
[Imagem sacada da net]