31/10/2017

Violências, jovens e identidade thug

Num artigo a publicar no próximo mês, assunto aprofundado na Tese de Doutoramento em processo construtivo, vem a seguinte afirmação: "(...) uma análise secular das violências em Cabo Verde, nomeadamente no contexto santiaguense, complementado por um trabalho etnográfico, permite estabelecer relações entre o processo de desumanização do homem negro desterrado nas ilhas no período do tráfico negreiro e sua posterior construção em demônios populares após a criação da figura do "badio" (negro fujão), hoje (re)vivenciado no contexto urbano pela figura thug enquanto emblema identitário de resistência reconfigurado a partir das narrativas de Tupac".

[Imagem

25/10/2017

Da série "negrificar as mentes clarificadas"

Sempre que um cabo-verdiano falar na forma como a Europa trata os imigrantes africanos, que é péssimo, convém ele lembrar também como nós, os cabo-verdianos, tratamos os imigrantes do continente ("os mandjakus"), sobretudo nas nossas fronteiras. Sempre que falarem do SEF, lembrem-se da PN/PF. Sendo verdade que muitos do continente olham Cabo Verde como uma oportunidade de chegar à Europa, legal ou ilegalmente, é também verdade que, na última década, muitos killers cabo-verdianos olharam Senegal como uma oportunidade de fuga e/ou um caminho para se chegar à Europa, legal ou ilegalmente.

23/10/2017

Nós e a integração africana

Quando se trata de rankings e índices internacionais o cabo-verdiano acha ser o melhor em África e arredores. Nisto de integração africana, do ponto de vista econômico, é corriqueiro ouvir e ler dos "especialistas" das ilhas que o país anda a competir com o Senegal. Não está nada. Senegal está numa divisão muito superior. Cabo Verde só está à frente em termos de discurso. Aliás, numa altura em que se faz streap tease online dos candidatos cabo-verdianos à presidência da Comissão da CEDEAO, interessa ressaltar a falta de visão estratégica política e econômica (e também acadêmica) em relação à África, não obstante o discurso sobre a integração africana imposto pela União Europeia, como critério de uma suposta “integração europeia”, via parceria especial. Numa altura em que Dakar é efetivamente o hub econômico africano, demitimo-nos de tirar proveito das oportunidades de dar o tal salto, coisa que nunca saiu do papel (ou do discurso). No próximo dezembro, Senegal irá inaugurar um novo aeroporto internacional e de arrasto criar uma nova companhia aérea, porque sabem que a Transair é muito pequena para a grandeza da sua ambição e potencialidade. A mesma que alguém nas ilhas achou ter capacidade de substituir a TACV na rota Praia/Dakar. As ilhas perderam já há algum tempo a oportunidade de se tornar no principal hub aéreo da região. Perdeu imenso dinheiro (e oportunidades) e continua a perder. Neste aspeto, a TACV Internacional vem muito tarde e ao encerrar os voos Praia/Dakar o país perdeu uma mão cheia de oportunidades de crescimento imediato (ou de médio prazo). Muitas entidades com representação na Costa Ocidental de África que tinham intensão de participar no FMDEL, por exemplo, abortaram a sua presença devido à falta de voos regulares (eram cerca de 500 quilômetros. Hoje, há que se fazer muito mais quilômetros e gastar muito mais dinheiro para uma escala em Casablanca ou Lisboa). Para variar, o pessoal continua a fazer fuga à frente e a não refletir sobre os sucessivos erros. O país continua com o discurso pró-Europa e pró-EUA, numa altura em que a Europa e os EUA se instalam em Dakar e, ironicamente, a malta tem a habilidade de aumentar a distância aérea com o continente, este espaço natural para se fazer parcerias e em franco crescimento. 

Como diriam os meus amigos pan-africanistas, na fase em que as coisas estão, solução mesmo, se calhar, passa obrigatoriamente pela Renascença Africana…

[Na imagem Dakar de tous les contrastes by Mamadou Diop]

10/10/2017

Nós e o continente africano

Sobre a integração africana tão na moda discursiva nos dias que correm, a presidência cabo-verdiana da CEDEAO e afins, a afirmação de Elsa Fontes, transportado para a atualidade, vem muito a calhar: "Assim por uma curiosa reviravolta da história, a comunidade cabo-verdiana, em grande parte vinda da África no séc. XVI, regressa a ela num quadro de organizações administrativas portuguesas ou simplesmente para desenvolver o comércio com os indígenas. Em ambos os casos, levam para África o que os portugueses lhe trouxeram: a civilização europeia". 

[Imagem apanhada na net]

01/10/2017

Da série "goog cop bad cop"


Não conheço o caso em si, mas já em 2011, como indica este artigo, havia indícios de práticas do tipo por parte de alguns agentes da PN e, na altura, chegou-se a falar da existência de uma esquadrão da morte no interior da instituição policial ao serviço de uma das fações do narcotráfico nacional.  

[Imagem apanhada na net]

21/09/2017

Da vergonha nacional

Layi Erinosho, sociólogo nigeriano, escreveu em 2008 um interessante artigo intitulado Sociology, hypocrisy, and social order, em que chamava a atenção aos sociólogos africanos sobre a necessidade de incluírem no estudo das interações sociais e das relações internacionais em África o conceito hipocrisia, como um elemento chave de compreensão dos conflitos sociais e guerras persistentes no continente. No contexto cabo-verdiano, o conceito foi utilizado recentemente neste artigo sobre a comunidade LGBT.

De forma geral, hipocrisia significa um comportamento que pretende ter um padrão moral ou uma opinião que não reflete o que é real ou o verdadeiro ponto de vista do indivíduo ou insinceridade em virtude de fingir ter qualidades ou crenças que não se tem realmente. 

Isto para dizer que a cena dos cadernos "kumi-bebi" enquadra-se neste contexto. Eu que entendo o rap como uma forma de transposição artística de experiências individuais e coletivas ou como que um intelectualismo orgânico e o utilizo como uma ferramenta analítica com estatuto igual a qualquer outra fonte de pesquisa em ciências sociais (fazendo analogia à utilização dos textos literários pelos cientistas sociais nos trabalhos sobre a questão da identidade cabo-verdiana), ao transportar esta perspetiva aos restantes gêneros musicais populares no país, "kumi-bebi", "txoma minis", "sen djobi pa ladu" ou o mais antigo "soku na rostu" e dezenas de outras palavras slogans saídas de músicas popularizadas, não passam de representações da sociedade cabo-verdiana. A malta apenas observa a realidade que a circunda e a coloca em forma de música. Os políticos, na ânsia de ganhar popularidade e com isso alcançar o "povo", a legitima enquanto vox populi e os media fazem o resto. E desta equação toda, saem os senhores deputados... 

Vergonha nacional é a institucionalização do nepotismo e da cultura do macaco e do papagaio, a reprodução da mediocridade e do "lambebotismo", a banalização da ideia de liderança, a violência política e institucional, a segregação das oportunidades, a legitimação da precarização laboral, a criminalização da pobreza, a demonização da categoria juvenil em situação de marginalidade, a lapidação da coisa pública, a brutalidade policial, o aumento do custo de vida e o consequente empobrecimento da população, entre outras várias situações que diariamente o dito "povo" sente na pele. 

Lá onde os teóricos da moralidade crioula vêem crise de valores, eu vejo conflito de valores. Abrem mas é a pestana...

11/09/2017

Reler Cabral nos dias de hoje

"Há certas coisas que os camaradas não sabem e que lhes podem fazer confusão, mas a verdade é que em Cabo Verde mais gente aprendeu a ler e escrever do que na Guiné, no tempo dos colonialistas. Mas a percentagem de analfabetismo em Cabo Verde, contrariamente à vaidade de algum cabo-verdiano que tem a mania que sabe muito, é de 85%. Os tugas gabavam-se, dizendo que em Cabo Verde não há analfabetos. É falso! Mas daqueles que sabem ler, eu fiz a experiência em 1949, quando lá fui passar as férias, havia gente com o 2.º grau (já havia 4 ou 5 anos) no mato, em Godim ou em Santa Catarina, por exemplo, e a quem se lhes dava o jornal para lerem, mas não sabiam o que estavam a ler. Esses também são analfabetos que conhecem as letras. Há muita gente assim no mundo e até, às vezes, doutores. Mas é preciso perder muitas ilusões". - Amílcar Cabral, 1974. 

[Imagem apanhada na net]

22/08/2017

Centralização, desconcentração, descentralização, regionalização

O interessante nos últimos meses tem sido a constatação da estreia e da volta de vários "mandadoris di boka", um ano depois da mudança no poleiro político. Acho bem. Contudo, a situação simboliza uma espécie de consolidação do sistema político bi-partidário (ou se preferirem o sistema bi-clubístico) historicamente instalado nas ilhas. É certo também que alguns meninos acabados de trepar o poleiro andam a facilitar. Outra conjuntura política, algumas mesmas práticas da população mirim partidária. 

Ontem MAC#114, hoje Sokols aka Falcões Portugueses de Cabo Verde (aqui bem retratada por Maria Carvalho). Ontem contra o Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos, hoje contra a Centralização aka República de Santiago. Contudo, a bem verdade, é preciso sair da Praia, chegar a uma ilha verdadeiramente periférica, numa localidade periférica da periferia da ilha e lembrar aquilo que Fanon já tinha alertado, há 50 e tal anos atrás.

"Num país subdesenvolvido, os elementos dirigentes do partido devem fugir da capital como da peste. Eles devem residir, à excepção de alguns, nas regiões rurais. Deve-se evitar centralizar tudo na grande cidade. Nenhuma desculpa de ordem administrativa pode legitimar a efervescência de uma capital já superpovoada e superdesenvolvida em relação a nove décimos do território. O partido deve estar o mais possível descentralizado. É a única maneira de ativar as regiões mortas, as regiões que ainda não despertaram para a vida" - Frantz Fanon, 1961. 

[Imagem sacada da net]

19/08/2017

Da série Racismo à Portuguesa

Os cidadãos dos países de língua oficial portuguesa representam menos de 1% da população portuguesa. Ainda assim, 1 em cada 73 com mais de 16 anos em Portugal encontra-se preso, enquanto para os na nacionalidade portuguesa é um em cada 736. Em Sintra, 1 em cada 50, para 1 em cada 492. Na Amadora, 1 em cada 49, para 1 em cada 393 e, neste município, 1 cabo-verdiano tem 19 vezes de probabilidades de estar preso do que um português. Estes são os dados divulgados hoje pelo Público, que começa a segunda parte do projeto Racismo em Português, liderado pela jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques, com a série Racismo à Portuguesa, com um trabalho sobre o sistema judicial português e a forma como se manifestam as desigualdades raciais em diversa áreas, da educação ao emprego ou à educação.  

[Na imagem capa do Público de hoje]

15/08/2017

A ideia do bem contra o mal e a política de esquecimento que a moeda possui dois lados

Há três tipos de pseudo-intelectuais: 1) os "tudólogos", que dissertam sobre tudo e mais alguma coisa no alto do seu poleiro mental; 2) os desonestos, que conhecendo as coisas, optam por dissertar sobre aquilo que lhes convém; 3) os míopes, que entranhados ideologicamente na sua crença, dividem levianamente o mundo entre o bem e o mal, acreditando fazer parte do exército do bem, que numa espécie de cruzada moral, olham para todos os discursos contrários como errados e ideológicos. No entanto, de vez em quanto, aparece uns gênios provincianos iluminados que conseguem carregar ambas as caraterísticas, esquecendo que qualquer moeda possui dois lados. 

Isto para dizer, que quem estuda e conhece a dinâmica e a história do narcotráfico internacional sabe qual tem sido o papel desempenhado pelos serviços secretos ou instituições dos grandes projetos imperiais no tráfico transnacional de drogas. Ora como forma de obtenção de lucro ora como estratégia de desestabilização de países ou regiões considerados inimigas. No primeiro caso, a literatura histórica atribui a Rainha Vitoria o título de primeira mulher líder de um cartel de narcotráfico dirigido por um governo, com o objetivo de controlar o mercado do ópio. Muita pouca gente sabe que a chamada Era Vitoriana, período de expansão do Império Britânico e considerado época de mudança a nível industrial, cultural, política, científica e militar do mundo cristão dito "civilizado" foi suportada, em parte, pelo negócio da droga. O Porto de Hong Kong, então colônia Britânica, era na altura um dos principais espaços mercantis, onde, juntamente com outras rotas da região, o ópio era ativamente comercializado com o selo real. É sabido também a proveniência de uma parte do financiamento das fações de guerrilha comunistas sul-americanas. No segundo caso, quem conhece a literatura especializada, tanto sabe da estratégia utilizada pela secreta soviética neste domínio, como a política da heroína liderada pela inteligência norte-americana, nos finais da segunda guerra mundial, tão bem retratada pelo historiador Alfred W. McCoy, na obra The politics of heroin: CIA complicity in the global drug trade. O mesmo se pode dizer do papel desempenhado pela inteligência norte-americana na rota do narcotráfico asiático, no período da guerra do Vietnam ou, a nível de política interna, a estratégia de desestabilização das comunidades negras dos Estados Unidos com a introdução do crack pelos agentes do Movimento da Lei e Ordem, tendo este expediente servido para, a nível de política externa, financiar os Contras na América Central. 

[Na imagem Let Them Eat Crack by Banksy, 2008]

12/08/2017

Cabo Verde, Israel, política externa e o estado das coisas

Quem teve o privilégio de ler a obra de Renato Cardoso, sobre os feitos da diplomacia cabo-verdiana nos primeiros anos de vida como nação (in)dependente, sabe que o setor anda à deriva há já algumas décadas e não de um ano para cá. Eu entendo a aproximação com Israel numa onda de sacar dinheiro e competências na agricultura etc e tal. Nada contra. Sobre os argumentos de que esta aproximação impõe-se pela nossa matriz cultural judaico-cristão, sugiro uma leitura a Cheikh Anta Diop ou sobre o papel dos judeus no tráfico negreiro em Cabo Verde. Independentemente disto tudo, penso que declarar apoio incondicional (se for realmente este o caso) a um Estado Colonialista e Terrorista (que convém não confundir com o povo judeu) é algo, assim, desavisado. 

[Na imagem Os Boiadeiros by José Borges]

11/08/2017

Rede Internacional das Periferias

Em março último, no Seminário Internacional sobre as Periferias, sob o tema "O que são as periferias, afinal, e qual seu lugar na cidade?", no Rio de Janeiro, Complexo da Maré, o Conselho Estratégico do Instituto Maria e João Aleixo criou a Rede Internacional das Periferias, com o objetivo de articular as várias organizações em todo o mundo, unidas em um movimento de produção de conceitos, e metodologias de intervenção na cidade a partir da perspetiva das periferias e do paradigma da potência, de modo a propor políticas públicas colaborativas e inclusivas. 

O IMJA já tem disponível online o seu site, onde se poderá consultar as suas atividades. Atualmente decorre na Maré uma residência internacional que terá a duração de cinco meses, com participantes da América Latina (Brasil, México e Colômbia), África (Cabo Verde e Guiné-Bissau) e Europa (Portugal) e está agendado para o próximo ano o II Seminário em Portugal e o III Seminário em Cabo Verde, em 2019.  

[Na imagem I Seminário Internacional sobre as Periferias. Foto: Geledés]

10/08/2017

Reler Fanon nos dias de hoje, parte II

"A burguesia nacional será consideravelmente ajudada pelas burguesias ocidentais, que se apresentam como turistas amantes de exotismo, de caça e de casinos. A burguesia nacional organiza centros de repouso e de recreio, curas de prazer para a burguesia ocidental. A essa atividade dar-se-á o nome de turismo e será equiparada, circunstancialmente, a uma indústria nacional (...). Algumas vezes, sobretudo nos anos após a independência, a burguesia não hesita em confiar em bancos estrangeiros os lucros que retira do território nacional. Ao contrário, utilizam-se somas avultadas em despesas de ostentação, em carros, em casas de campo, tudo isso bem descrito pelos economistas como características da burguesia subdesenvolvida". - Frantz Fanon, 1961. 

[Imagem retirada da net]

09/08/2017

Sobre a(s) juventude(s)

Ontem, na Assomada, no âmbito da Semana da Juventude organizada pela Câmara Municipal de Santa Catarina de Santiago, dividindo o painel com Rony Moreira, entre outras upgrades analíticas, este post de há 3 anos atrás continua atual: o que falta a(s) juventude(s) cabo-verdianas é uma pitada de politização (que convém não confundir com partidarização) e consequente senso crítico (que convém não confundir com mandar bocas). 

[Imagem apanhada na net]

31/07/2017

Da série "foi sempre este o meu pensamento e ação"

"Hoje, os partidos e os sistemas partidários estão em crise. Também temos algum esgotamento dos partidos tradicionais". Afirmações do ex-Zé Pinóquio e atual Zé Cara de Lata, que diz ainda que o cansaço e crise dos partidos tradicionais têm levado ao surgimento de movimentos populistas. Para o pai do populismo e tio da partidarização da administração pública em Cabo Verde, a solução passa por uma outra relação das forças políticas tradicionais com a sociedade. 

O que realmente acho disto tudo é que se Zemas ainda não leu Fanon é hora de fazê-lo, não só pelo post anterior a este, mas, e, sobretudo, por tudo aquilo que escreveu no seu último panfleto livresco, que, pelos vistos, serve de orientação ao atual patron di zona, ou não fossem diretrizes internacionais, cuja cartilha a malta segue sem pestanejar.

Voltando à citação inicial, como lembrava Frantz Fanon, em 1961, "a noção de partido é uma noção importada da metrópole". Como recentemente afirmou John Dickie, no seu terceiro livro sobre a historiografia das máfias italianas, partido era o nome como a máfia era conhecida no início. Soubesse Zemas destas coisas, talvez a análise fosse ligeiramente diferente.

[Na imagem John Snow is Cara de Lata 3 by Alan Alan, 2017]

30/07/2017

Reler Fanon nos dias de hoje

"Mas quando a descolonização se dá em regiões que não foram suficientemente abaladas pela luta de libertação, encontramos esses mesmos intelectuais expeditos, maliciosos e astutos. Encontramos neles, intactas, as formas de conduta e as formas de pensamento a que se habituaram durante o contacto com a burguesia colonialista. Ontem, meninos bonitos do colonialismo, hoje, da autoridade nacional, organizam a pilhagem dos escassos recursos nacionais. Impiedosos, sobem através de estratagemas ou de roubos legais: importação-exportação, sociedades anônimas, operações de bolsa, favores, sobre esta miséria hoje nacional." - Frantz Fanon, 1961.    

[Na imagem Samuel L. Jackson as house nigga in Django Unchained, 2012]

17/07/2017

Jornalismo, Cabo Verde e narrativas racistas

Só para constar que esta notícia do A Semana sobre o tal "cidadão negreiro", que por acaso é nigeriano, tinha saído antes na RTC da seguinte forma: "homem negro, alto, forte e de olhos grossos amarelados assaltou, esta manhã, em São Vicente, a Casa de Câmbios". Narrativas destas, a lembrar o Correio da Manhã de Portugal e jornais afins, não é novidade em Cabo Verde, embora o pessoal acha que falar destas coisas é importar discussões alheias...

[Na imagem Help Racismo nos Outdoors, Praia. Foto: RWL]

13/07/2017

Da série "balcanização e pilhagem de África"

Numa época em que o pan-africanismo institucionalizado volta a querer mostrar a sua garra, torna-se forçoso recuperar a afirmação de Axelle Kabou: "Sabemos que a ajuda ao desenvolvimento, que substitui as reparações de crimes coloniais, poderia ter sido outra coisa que não um 'programa de irmãs de caridade', para retomar a expressão de Fanon, se os fundadores da Organização da Unidade Africana tivessem escolhido a verdadeira unidade, em vez de se dedicarem à balcanização da África". 

11/07/2017

Sem justiça não há paz

Nos tempos mais recentes, em Lisboa, após a invenção do "arrastão de Carcavelos", em junho de 2005, seguiu-se a invenção da "invasão da esquadra de PSP de Alfragide por cinco jovens negros", em fevereiro de 2015 (aquiaqui). Dois anos volvidos, Ministério Público acusa os 18 agentes da PSP envolvidos de sequestro, tortura e racismo. Cada um é acusado de terem cometido cerca de vinte crimes.

Adenda: Som e Fúria da TVI.

[Imagem sacada da net]