
Quando se trata de rankings e índices internacionais o cabo-verdiano acha ser o melhor em África e arredores. Nisto de integração africana, do ponto de vista econômico, é corriqueiro ouvir e ler dos "especialistas" das ilhas que o país anda a competir com o Senegal. Não está nada. Senegal está numa divisão muito superior. Cabo Verde só está à frente em termos de discurso. Aliás, numa altura em que se
faz streap tease online dos candidatos cabo-verdianos à presidência da Comissão da CEDEAO, interessa
ressaltar a falta de visão estratégica política e econômica (e também acadêmica)
em relação à África, não obstante o discurso sobre a integração africana imposto pela
União Europeia, como critério de uma suposta “integração europeia”, via
parceria especial. Numa altura em que Dakar é efetivamente o hub
econômico africano, demitimo-nos de tirar proveito das oportunidades de dar o tal
salto, coisa que nunca saiu do papel (ou do discurso). No próximo dezembro, Senegal
irá inaugurar um novo aeroporto internacional e de arrasto criar uma nova
companhia aérea, porque sabem que a Transair é muito pequena para a grandeza da sua ambição e potencialidade. A mesma que alguém nas ilhas achou ter capacidade de substituir a TACV na rota Praia/Dakar. As ilhas perderam já há algum tempo a oportunidade de se tornar no principal hub aéreo da região. Perdeu imenso dinheiro (e oportunidades) e continua a
perder. Neste aspeto, a TACV Internacional vem muito tarde e ao encerrar os voos Praia/Dakar o país perdeu uma mão cheia de oportunidades de crescimento imediato (ou de médio prazo). Muitas entidades com representação na Costa Ocidental de África que
tinham intensão de participar no FMDEL, por exemplo, abortaram a sua presença devido à falta de voos
regulares (eram cerca de 500 quilômetros. Hoje, há que se fazer muito mais quilômetros e gastar muito mais dinheiro para uma escala em Casablanca ou Lisboa). Para variar, o pessoal continua a fazer fuga à frente
e a não refletir sobre os sucessivos erros. O país continua com o discurso
pró-Europa e pró-EUA, numa
altura em que a Europa e os EUA se instalam em Dakar e, ironicamente, a malta tem a habilidade de aumentar a distância aérea com o
continente, este espaço natural para se fazer parcerias e em franco crescimento.
Como diriam os
meus amigos pan-africanistas, na fase em que as coisas estão, solução mesmo, se calhar, passa obrigatoriamente pela Renascença Africana…
[Na imagem Dakar de tous les contrastes by Mamadou Diop]