11/08/2017

Rede Internacional das Periferias

Em março último, no Seminário Internacional sobre as Periferias, sob o tema "O que são as periferias, afinal, e qual seu lugar na cidade?", no Rio de Janeiro, Complexo da Maré, o Conselho Estratégico do Instituto Maria e João Aleixo criou a Rede Internacional das Periferias, com o objetivo de articular as várias organizações em todo o mundo, unidas em um movimento de produção de conceitos, e metodologias de intervenção na cidade a partir da perspetiva das periferias e do paradigma da potência, de modo a propor políticas públicas colaborativas e inclusivas. 

O IMJA já tem disponível online o seu site, onde se poderá consultar as suas atividades. Atualmente decorre na Maré uma residência internacional que terá a duração de cinco meses, com participantes da América Latina (Brasil, México e Colômbia), África (Cabo Verde e Guiné-Bissau) e Europa (Portugal) e está agendado para o próximo ano o II Seminário em Portugal e o III Seminário em Cabo Verde, em 2019.  

[Na imagem I Seminário Internacional sobre as Periferias. Foto: Geledés]

10/08/2017

Reler Fanon nos dias de hoje, parte II

"A burguesia nacional será consideravelmente ajudada pelas burguesias ocidentais, que se apresentam como turistas amantes de exotismo, de caça e de casinos. A burguesia nacional organiza centros de repouso e de recreio, curas de prazer para a burguesia ocidental. A essa atividade dar-se-á o nome de turismo e será equiparada, circunstancialmente, a uma indústria nacional (...). Algumas vezes, sobretudo nos anos após a independência, a burguesia não hesita em confiar em bancos estrangeiros os lucros que retira do território nacional. Ao contrário, utilizam-se somas avultadas em despesas de ostentação, em carros, em casas de campo, tudo isso bem descrito pelos economistas como características da burguesia subdesenvolvida". - Frantz Fanon, 1961. 

[Imagem retirada da net]

09/08/2017

Sobre a(s) juventude(s)

Ontem, na Assomada, no âmbito da Semana da Juventude organizada pela Câmara Municipal de Santa Catarina de Santiago, dividindo o painel com Rony Moreira, entre outras upgrades analíticas, este post de há 3 anos atrás continua atual: o que falta a(s) juventude(s) cabo-verdianas é uma pitada de politização (que convém não confundir com partidarização) e consequente senso crítico (que convém não confundir com mandar bocas). 

[Imagem apanhada na net]

31/07/2017

Da série "foi sempre este o meu pensamento e ação"

"Hoje, os partidos e os sistemas partidários estão em crise. Também temos algum esgotamento dos partidos tradicionais". Afirmações do ex-Zé Pinóquio e atual Zé Cara de Lata, que diz ainda que o cansaço e crise dos partidos tradicionais têm levado ao surgimento de movimentos populistas. Para o pai do populismo e tio da partidarização da administração pública em Cabo Verde, a solução passa por uma outra relação das forças políticas tradicionais com a sociedade. 

O que realmente acho disto tudo é que se Zemas ainda não leu Fanon é hora de fazê-lo, não só pelo post anterior a este, mas, e, sobretudo, por tudo aquilo que escreveu no seu último panfleto livresco, que, pelos vistos, serve de orientação ao atual patron di zona, ou não fossem diretrizes internacionais, cuja cartilha a malta segue sem pestanejar.

Voltando à citação inicial, como lembrava Frantz Fanon, em 1961, "a noção de partido é uma noção importada da metrópole". Como recentemente afirmou John Dickie, no seu terceiro livro sobre a historiografia das máfias italianas, partido era o nome como a máfia era conhecida no início. Soubesse Zemas destas coisas, talvez a análise fosse ligeiramente diferente.

[Na imagem John Snow is Cara de Lata 3 by Alan Alan, 2017]

30/07/2017

Reler Fanon nos dias de hoje

"Mas quando a descolonização se dá em regiões que não foram suficientemente abaladas pela luta de libertação, encontramos esses mesmos intelectuais expeditos, maliciosos e astutos. Encontramos neles, intactas, as formas de conduta e as formas de pensamento a que se habituaram durante o contacto com a burguesia colonialista. Ontem, meninos bonitos do colonialismo, hoje, da autoridade nacional, organizam a pilhagem dos escassos recursos nacionais. Impiedosos, sobem através de estratagemas ou de roubos legais: importação-exportação, sociedades anônimas, operações de bolsa, favores, sobre esta miséria hoje nacional." - Frantz Fanon, 1961.    

[Na imagem Samuel L. Jackson as house nigga in Django Unchained, 2012]