10/02/2017

FRESH STREET#2

No próximo mês de Maio irei participar no International Seminar for the Development of Street Arts, em Santa Maria da Feira (Portugal) onde falarei sobre o street art no contexto cabo-verdiano no painel Over The Seas - Street Arts Beyond Europe, em modo busca de possíveis parcerias para um projeto de intervenção urbana nas ilhas.

09/02/2017

A ideia do Cabo Verde Global e o discurso dos novos compromissos

Isto de afirmar que a nação é global, ou seja, que ultrapassa em muito as fronteiras físicas e a população residente no país, para se projetar através da nossa diáspora na Europa, nas Américas, em África e em todo o mundo é deveras algo muito giro de estar estampado num Programa do Governo, mas é quando surge situações do tipo é que se terá a oportunidade de se provar na prática o tal compromisso do Estado em assumir as comunidades cabo-verdianas emigradas como uma das suas mais altas prioridades. 

[Na imagem parte do bairro de Santa Filomena, Amadora, 2012. Foto RWL]

30/01/2017

Rap e pesquisa etnográfica

Amanhã será publicado a edição número 3 da Revista Desafios, no Campus do Palmarejo da Uni-CV, em que participo com o artigo "Rap e pesquisa etnográfica", escrito em 2013, na sequência da participação no V Congresso da Associação Portuguesa de Antropologia desse mesmo ano, em Vila Real, Portugal, com a comunicação "Rap Kriol(u) e a pesquisa etnográfica: lógicas de desafiar a mudança no espaço urbano em (i)mobilização", como complemento do artigo publicado em 2015 nesta obra colectiva. O artigo analisa, por um lado, em que medida o rap, entendido como prática cultural juvenil urbana, tem revitalizado o exercício da cidadania e, por outro, de que forma uma pesquisa etnográfica engajada ajuda a alargar o marco compreensivo de realidades subalternas ignoradas nas ciências sociais, contribuindo assim para o "empoderamento" juvenil individual e colectivo.   

[Na imagem convite do lançamento da edição n. 3 da Revista Desafios]

29/01/2017

A volta do tempo que nunca partiu

Numa altura em que tanto se fala em cooperação científica, não ter consciência de que o que aqui se tem feito nessa matéria não passa de uma reprodução do modelo de pesquisa de tipo colonial é estar-se intelectualmente desatento.

Sobre esta matéria, Jean-Marc Ela, escreveu que aquilo que se designa de cooperação científica, a partir da lógica de se estar a trazer à África as Luzes do Ocidente (a meu ver, tanto por via da Europa como por via das Américas), traduz a estranha sensação de que os campos de pesquisa estão em África e os conhecimentos no Ocidente, sem falar da processo de canibalização do outro em que tal prática se inscreve, como são provas os inúmeros casos por cá observados.

Aquilo a que chamei de sociologia da transgressão, no International Conference Activisms in Africa, realizado ainda este mês, em Lisboa, encontra inspiração na ideia de epistemologia da transgressão de Ela e pretende ser uma arma epistemológica com capacidade bélica de abrir uma brecha na Cidadela científica do Norte, uma vez que há que "reconhecer que se a ciência moderna não começou com o Ocidente, a mesma também não termina com ele".     

28/01/2017

A Era do Imprevisível

O livro a Era do Imprevisível foi escrito em 2009 por Joshua Cooper Ramo, pai do termo Consenso de Beijing e Diretor executivo do Kissinger Associates, uma das principais empresas mundiais de consultoria geoestratégica, numa época em que já se dizia que teríamos entrado num momento de perigo.

Segundo Ramo, tudo o que nos rodeava, as ideias e instituições em que confiávamos para a nossa proteção e segurança estavam a falhar e as melhores ideias dos nossos líderes pareciam piorar ainda mais os nossos problemas ao invés de resolvê-los. A ideia de uma guerra global contra o terrorismo acabava por produzir, no final, terroristas mais perigosos e a luta para deter a crise financeira parecia estar a acelerar a sua chegada. Da ideia defendida de que que apesar dos pesares, esta nova era proporciona igualmente um panorama de possibilidades e de esperança de que a coisa mais inconcebível de todas possa ser que cada um de nós tem o poder de salvar o mundo... surge Trump e a dita era da pós-verdade. 

Nesta embrulhada toda, resta-nos a paixão dos The Damned em formato New Rose e a ideia de que o punk, para além de representar ainda hoje o expoente máximo da liberdade e afins, é assim uma cena mesmo boa, como provam estas 40 rajadas que abanaram o sistema.