06/01/2016

Nós e as cabo-verduras

Cabo Verde acusa Portugal de não pagar o salário de Rui águas. Portugal desmente acordo de pagamento do salário de Rui Águas. Este tem sido um dos filmes dos últimos dias. De facto, a relação pós-colonial Cabo Verde-Portugal tem algo de muito interessante. Mas, mais interessante ainda, academicamente falando, é a súbita partidarização da coisa através desta cabo-verdura do Liberal. 

[Na imagem 'Goes Bananas' by Banksy]

04/01/2016

Irony of the negro policeman

A forma agressiva como esta reportagem foi recebida nas Hespérides crioulas, percebida por alguns como uma ofensa à ideia da cabo-verdianidade ou qualquer coisa parecida, só vem provar que, de facto, o assunto é tabu... e olhar o país da Praia Shopping Center (herdeiro natural da função social da manutenção do status quo do extinto Espaço K), para lá de ser também uma forma da reprodução da história única, cria uma ideia desfasada da realidade.

Adenda: e comungo da opinião de que a reportagem tem a mestria de desconstruir a excepcionalidade de Cabo Verde.
  
[Na imagem Irony Of The Negro Policeman by Jean-Michel Basquiat, 1981]

30/12/2015

Obey | Subvert

Os partidos políticos, a CNE e agora o PR devem ter uma adoração secreta pelo avestruz. O que eu sei é que o país está de férias desde da semana passada e ao que parece assim continuará até Janeiro de 2017. Obviamente este calendário já começa a ser violado e a senhora Juíza, para variar, reproduzirá a cultura de olhar para o lado. Os jovens irão continuar a achar que os políticos encontram-se distantes da sua realidade e alcançando uma pitada de poder, serão acusados do mesmo por outros jovens. Sobre o ano de excepção que se avizinha relembro este e este artigo referente ao ano de excepção de 2011 (e semi-excepção de 2012), assim como esta penta dimensão de olhares sobre a eleição, o voto e os desafios pós-2011, publicado pelo extinto Pulsar.   

E assim como quem não quer nada, mais este anúncio governamental...   

[Na imagem Situacionismo Punk Britânico. Autor desconhecido]

21/12/2015

Em meu pais o crime compensa! Vergonha...

Do célebre funaná dos finais dos anos de 1980, salvo erro dos Finason, explorando a imaginação social do sucesso masculino da época: uma casa na Praínha e uma mulher na TACV, em parte alcançado pelo Zemas, a verdade é que desde os anos de 1990 ouço falar dos sucessivos buracos na dita companhia de bandeira nacional, especialista em produzir milionários que por lá passam como gestores. Desta vez, no entanto, a coisa parece ganhar repercussões mais graves e levanta o véu a um problema estruturante que é a forma como os sucessivos governos têm gerido a coisa pública a partir de uma política de compadrio, produzindo gestores super heróis que ocupam simultaneamente vários cargos, ditos de confiança político-partidária, bloqueando jovens com melhores qualificações e capacidade técnica. Os dois últimos casos, da integração dos camaradas Júlio Correia e Lívio Lopes na IUE e ARE respectivamente, é apenas mais um episódio da orgia institucional reinante no país. Ao invés de se centrar a discussão se a maioria destes gestores super heróis têm perfil para os cargos nomeados e/ou convidados, a discussão deveria ser colocado na relevância do currículum dos mesmos para os trabalhos a que são contratados. Indo por esse caminho, os escândalos seriam bem maiores e a criminalidade não só ganharia novas caras, como poderia ser renomeada.

[Imagem desviada da net]

20/12/2015

Da escravidão mental

Para lá da reprodução da cultura do macaco e do papagaio, esta nova invenção chama a atenção pela alta dose de ignorância espelhada na cultura powa swag. Ninguém é obrigado a conhecer o contexto histórico e social da construção do termo kopu leti, no entanto, não custa nada uma breve pesquisa para que se evite o oceano de disparates desfilado neste vídeo, protagonizado por um grupo de borda kafé. A palavra em si contêm dois significados: o primeiro que tem subjacente a ideia de raça, do privilégio branco e o segundo que tem subjacente a ideia de classe, consequência da primeira. Por outro lado, de ponto de vista da pesquisa em ciências sociais, é tudo muito fascinante, sobretudo a mudança de significado que a apropriação e redefinição do termo kopu leti poderá trazer ao mais ou menos politizado termo di guetu, popularizado pela geração thug.  

Este texto, em formato work in progress, poderá servir de introdução...

Adenda: a repercussão nas redes sociais.