03/11/2015

Da série "o consenso é uma treta e seu promotor uma fraude"

Escreveu Ibn Khaldun, no século catorze, que um ciclo político fecha quando o luxo conseguido com a prosperidade de um povo desencadeia a corrupção e a decadência. Esta afirmação, dita quatro séculos antes das (re)elaborações teóricas dos chamados pais das ciências sociais, é hoje bem visível e sentida nas ilhas. O tal do "Fundão" é apenas uma pequena ilustração do "regabofe institucional" (também bem presente nas gestões camarárias) cabo-verdiano, conseguido graças à política de avestruz das instâncias internacionais com sede nesta nação gentrificada (segundo a perspectiva teórica de Pedro Marcelino). Como resultado, uma grande parte dos cabo-verdianos, sobretudo jovens, "querem ficar mas têm de partir"...         

[Na imagem slogan de campanha do MPD/2011, Mosteiros. Foto de RWL]

27/10/2015

Nós e a narcocultura


E também pode entrar em Cabo Verde em contentores de empresas legais. Isto porque nunca se teve a vontade política de se seguir minuciosamente o dinheiro não obstante o discurso pomposo de luta contra a lavagem de capital.  

26/10/2015

No future

Em qualquer país exemplo em África e arredores em matéria de democracia e boa governação, quando se vai à televisão pública, em horário nobre, desconstruir simultaneamente a política económica governamental e a política eleitoral do partido que o suporta, o resultado só poderá ser este... e, sobre o activismo juvenil pós-pós-moderno, saudades tenho do espírito dos anos de 1990.

[Imagem de Banksy]

24/10/2015

Estado da Nação

A incompetência (individual, colectiva e institucional) é actualmente o maior desafio em Cabo Verde, fruto de uma política de emprego (nos sectores públicos e privados) baseada na lógica dos quatro ismos: nepotismo, amiguismo, partidarismo e cricalismo (assumindo toda a conotação machista que este último termo encerra). Não sendo uma invenção actual, o que alguma literatura nacional (e sobre o território nacional) evidencia é que esta lógica de dominação advém do processo de formação da sociedade crioula, reproduzida ao longo dos tempos por determinados grupos e instituições sociais, que bem tem sabido reconverter os seus capitais consoante os contextos sócio-políticos. A despolitização (que convém não confundir com partidarização) e a consequente anestesia social que se observa hoje na sociedade cabo-verdiana é resultado desta lógica de dominação. Sendo assim, quando as contradições explodirem, rompem violentamente manifestações de conteúdos conservadores tais como o nacionalismo exacerbado, fundamentalismos culturais/religiosos entre outras (re)alienações colectivas ideológicas inimigas da liberdade individual. Nisto tudo e apesar da intensificação dos discursos ocultos e a sua visibilização pública pelas mãos de algumas manifestações culturais, entre os quais o rap, é notório o resquício ideológico de um Charles Kingsley no discurso de alguns "turistas revolucionários", o que poderá resultar no bloqueio de possíveis mobilizações sociais nos próximos tempos. Sem falar das evidentes contradições ideológicas que este facto acarreta. 

[Na imagem citação de Guy Debord grafitado algures pelo mundo. Autor desconhecido]