12/06/2015

Os três cabrais e o pós-cabralismo

A partir deste texto do Abel Djassi Amado, poderia enquadrar este desabafo da seguinte forma: devido ao conflito pós-ideológico na representação de Cabral enquanto fraude e ícone, o melhor será matar o ícone e valorizar apenas o teórico-ideológico. Quanto ao fraude, nada a fazer...

11/06/2015

6th ECAS, Julho 2015, Paris

"Collective mobilisations in Africa. Contestation, resistance, revolt" será o tema do 6th European Conference On African Studies deste ano. Terá lugar em Paris, na Universidade Sorbonne, durante os dias 8 e 10 de Julho. Com Otávio Raposo coordenarei o painel "Art and culture as a platform of mobilisation of the african youth and african descent", cujo objectivo é debater perquisas que tenham como objecto de estudo expressões artísticas e/ou culturas urbanas protagonizadas por africanos (ou seus descendentes) nas suas múltiplas conexões com os movimentos sociais que transformaram cidades em todo o mundo em palcos de resistência. África do Sul, Senegal, Nigéria, Cabo Verde, Brasil e Itália serão os contextos debatidos no painel.

Adenda: programa completo aqui.

[Na imagem uma das fotos de apresentação do evento]

08/06/2015

Quando as trincheiras simbólicas começam a deixar de ser simbólicas

Sobre este assunto já existe um corpus teórico-empírico explicativo bastande inovador e consistente, embora constantemente ignorada pela intelligentsia local. O perigo da reconstrução das trincheiras simbólicas é que pouco a pouco deixam de ser simbólicas, ainda mais quando a referência social e política é o Estado-gangster, aqui tomado segundo a concepção de Lysander Spooner.

05/06/2015

'Salvemos a Praia'

Em 2006, um grupo de cidadãos criaram um movimento de contestação a partir de uma petição intitulada 'Salvemos o ilhéu de Santa Maria', abraçado por arquitectos e professores universitários, contra a construção do projecto dado à estampa hoje no A Voz. Foi a primeira petição entregue na Assembleia Nacional desde que o decreto-lei 3/2003 instituiu que as petições sejam assinadas por pelo menos 300 pessoas para terem efeito legal. Na altura, a acção do grupo acabou por travar o negócio, retomado agora, acreditando neste semanário, em forma de uma ilha artificial, autêntica aberração, ainda mais porque o ilhéu funcionaria como uma espécie de Estado de Excepção, onde o Estado de Cabo Verde não teria qualquer domínio legal. Isto depois do bloqueio feito a um outro projecto, o da marina da Praia, mais integrador e sustentável, não obstante a assinatura do memorando de entendimento. Bloqueio este com o conluio da municipalidade local. O certo é que a corrupção anda solta na democracia tida como modelo em África e arredores e urge movimentos de cidadania fora dos formatos "elevadores sociais" ou "ejaculações sociais precoces"...

[Na imagem primeira página do A Voz de hoje]

04/06/2015

Dia de reflexão sobre a violência sexual de crianças e adolescentes

Sobre a questão da violência sexual contra crianças e adolescentes, o primeiro ponto a ter em conta, num dia dito de reflexão, é que no caso cabo-verdiano, ela não é um problema psicológico mas uma questão social que tem sido reproduzido historicamente. A maioria dos casos não configura pedofilia (o que não quer dizer que não haja casos desses) apesar de 42% dos casos denunciados ao ICCA, no triénio 2012-14, ter como vítima crianças na faixa etária das 6 a 12 anos. O segundo é que a solução não está no aumento das penas mas sim tornar eficiente a articulação entre as instituições com missão em agir nestas situações e as leis já existentes, já que a negligência institucional, mais concretamente a judicial, tem sido o maior inimigo das vítimas e um bloqueio para que haja mais denúncias. O terceiro é que, a nível nacional, não há dados estatísticos que apontam para aumento de casos (inclusive os dados estatísticos de 2014 apontam para uma diminuição brusca na Praia). O que tem aumentado são as denúncias, com maior incidência nos centros urbanos onde existe delegações do ICCA. O quarto é que fala-se muito de abuso sexual da população infanto-juvenil e esquece-se da exploração sexual. Não são a mesma coisa e este último não pode ser dissassociado do fenómeno sexo transaccional, correspondente ao termo "pixingaria" popularizado nos anos de 1990 na Praia ou mais recentemente "café", popuarizado no Mindelo.

[Na imagem o cartaz do workshop promovido hoje pela ACRIDES]