06/05/2015

Maio de 68... 47 anos depois

É Maio, 47 anos depois do Maio de 68, tido como a segunda revolução francesa, década dos tumultos raciais, movimentos civis, radicalização dos movimentos estudantis e vésperas do nascimento do movimento punk. Por aqui, a discussão é se o primeiro de Maio foi ou não um fracasso, tendo em conta a manifestação dos (des)empregados e, exageradamente, alguém lembra-se de comparar o Março cabo-verdiano de 2015 a Maio francês de 1968... entretanto, como escreveu João Branco em Janeiro de 2009, a partir do blogue Spectrum, "a mudança de época assinalada por momentos de conflito social e de subversão do quotidiano que tomam as ruas das grandes metrópoles, ocupam espaços e atravessam corpos, redescobrindo o prazer cúmplice do jogo e a partilha da desobidiência". É caso para dizer que, infelizmente, vivemos num país sem memória social...

Maio de 68: revolta ou revolução? Documentário da TV Cultura para reflexão interna.

01/05/2015

Marcha de 1 de Maio

O Global Slavery Index de 2014 coloca Cabo Verde na posição 49, num total de 167 países, no que diz respeito à escravatura moderna, sinalizando 3200 casos. Contudo, a sociedade cabo-verdiana continua teimosamente apática e a tese de que ela encontra-se exageradamente institucionalizada e partidarizada mantêm-se intacta... sobre este ponto, 30 de Março de 2015 equivale o 11 de Outubro de 2011. O que se precisa é ressuscitar o espírito de batalha da geração pragmática de 1994. Num dia como hoje, On Modern Servitude para reflexão e quem nunca gritou "fuck you, i won't do what they tell me" não conhece o prazer da vida...

[Na imagem 'Marcha de 1 de Maio'. Foto de José Ferreira, 2015]

30/04/2015

Dia de luta e de reflexão... parte II

O discurso das novas oportunidades proferido pela candidata amarela ao trono arquipelágico é bonito mas lembra-me o programa social português lançado pelo então governo Sócrates. Evidentemente, na "metrópole" não se falava de vender pasteís etc e tal, tipo de actividade que possibilitou o estudo de muitos daqueles que agora se encontram com a vida em suspensa... em 2011, tinha-se copiado um programa específico do projecto Escolhas, o Tu Decides, rebatizado com um Bo Ki Ta Disidi e o resultado foi um fracasso total. Indo ao que interessa, não marcharia por mais emprego num país onde o desemprego é estrutural... penso que seria mais adequado marchar contra a segregação das oportunidades, o subemprego e a exploração juvenil através do programa estágios profissionais (não a ideia mas a prática como ela tem sido gerida pelos parceiros institucionais) e afins... contudo, acho interessante o discurso visual swag virado para a geração swag. Embora não tenhamos ainda bem desenvolvido uma cultura política de rua, que sair à rua não significa termos um movimento de contestação, a ideia é chegar lá...  

[Imagem da MAC#114]

29/04/2015

Praia city

Praia city e os seus 157 anos. De ponto de vista analítico entendo-a como uma cidade partida, mas apesar de suas contradições sinto-me "Praia Tudu Hora" (síntese de Rabeladu Lopi sobre a Praia de hoje em dia).

[Na imagem parte de Praia city. Foto de RWL, 2012]

Watts, 1965, Los Angeles, 1992, Baltimore, 2015


Motim de Los Angeles, 1992, na sequência do espancamento de Rodney King, os super gangues de rua Crips e Bloods unem-se na luta contra a brutalidade policial nos guetos negros. Mudam-se os tempos mas os problemas persistem... tal e qual as tácticas de self defense que remontam os Black Panthers e o motim de Watts, 1965. Se para Tom Hayden o problema da guerra urbana das últimas décadas é racial, para John Hagedorn, o erro da primeira geração de Escola de Chicago foi não ter tomado em consideração a questão da segregação racial no estudo dos gangues. A unidade dos maiores gangues de rua e sua transformação em organizações de rua nestas situações vai de encontro à ideia defendida por David Brotherton e Luis Barrios sobre a capacidade política dos gangues de rua... o que tem acontecico em Baltimore nestes dias não deve ser considerado como um motim mas um levantamento contra o terrorismo policial

Adenda: a revolta em Baltimore.

[Imagem]