30/04/2015

Dia de luta e de reflexão... parte II

O discurso das novas oportunidades proferido pela candidata amarela ao trono arquipelágico é bonito mas lembra-me o programa social português lançado pelo então governo Sócrates. Evidentemente, na "metrópole" não se falava de vender pasteís etc e tal, tipo de actividade que possibilitou o estudo de muitos daqueles que agora se encontram com a vida em suspensa... em 2011, tinha-se copiado um programa específico do projecto Escolhas, o Tu Decides, rebatizado com um Bo Ki Ta Disidi e o resultado foi um fracasso total. Indo ao que interessa, não marcharia por mais emprego num país onde o desemprego é estrutural... penso que seria mais adequado marchar contra a segregação das oportunidades, o subemprego e a exploração juvenil através do programa estágios profissionais (não a ideia mas a prática como ela tem sido gerida pelos parceiros institucionais) e afins... contudo, acho interessante o discurso visual swag virado para a geração swag. Embora não tenhamos ainda bem desenvolvido uma cultura política de rua, que sair à rua não significa termos um movimento de contestação, a ideia é chegar lá...  

[Imagem da MAC#114]

29/04/2015

Praia city

Praia city e os seus 157 anos. De ponto de vista analítico entendo-a como uma cidade partida, mas apesar de suas contradições sinto-me "Praia Tudu Hora" (síntese de Rabeladu Lopi sobre a Praia de hoje em dia).

[Na imagem parte de Praia city. Foto de RWL, 2012]

Watts, 1965, Los Angeles, 1992, Baltimore, 2015


Motim de Los Angeles, 1992, na sequência do espancamento de Rodney King, os super gangues de rua Crips e Bloods unem-se na luta contra a brutalidade policial nos guetos negros. Mudam-se os tempos mas os problemas persistem... tal e qual as tácticas de self defense que remontam os Black Panthers e o motim de Watts, 1965. Se para Tom Hayden o problema da guerra urbana das últimas décadas é racial, para John Hagedorn, o erro da primeira geração de Escola de Chicago foi não ter tomado em consideração a questão da segregação racial no estudo dos gangues. A unidade dos maiores gangues de rua e sua transformação em organizações de rua nestas situações vai de encontro à ideia defendida por David Brotherton e Luis Barrios sobre a capacidade política dos gangues de rua... o que tem acontecico em Baltimore nestes dias não deve ser considerado como um motim mas um levantamento contra o terrorismo policial

Adenda: a revolta em Baltimore.

[Imagem]

28/04/2015

Djumbai Libertariu: entre pesquisa e activismo num contexto marcadamente positivista

Michael Burawoy chama de engajamento público o envolvimento dos pesquisadores no debate público, sendo os compromissos políticos destes actores expressos através da sociologia pública (uma forma de conhecimento reflexivo orientado para os públicos não-académicos, em que estes se envolvem nos debates com os académicos sobre assuntos de ordem política, social e moral, entre outros). Assim como muitos activistas académicos desse mundo fora, desde 2011 tenho procurado colocar em prática um saber que, sem recusar o escrutínio da academia e das suas diversas instâncias, possa contribuir para uma acção política engajada, orientada para a discussão e a concretização de uma agenda emancipatória. O objectivo é a construção daquilo a que Pierre Bourdieu chamou de saber comprometido, que desafia e transcende a fronteira de separação entre o conhecimento científico e a intervenção no mundo exterior à academia. Nas palavras de Fernando Bessa Ribeiro, este posicionamento implica a crítica de todas as práticas arbitrárias e autoritárias por parte dos detentores do poder no interior das organizações e instituições, daqueles que assumindo a agenda dita progressista, mais não fazem do que servir-se dela para seu exclusivo proveito, assim como os que podendo fazer alguma coisa, nada fazem por subordinarem tudo à construção da carreira ou de um suposto poder simbólico.

Djumbai Libertariu é um projecto criado em Março de 2014, em que baseado nos propósitos acima referidos, procura apoiar os grupos envolvidos nas lutas sociais (movimentos sociais, associações, comissões comunitárias...) no aperfeiçoamento de suas práticas. O djumbai de último sábado, em Tira Chapéu, sobre as formas de democracia partilhada, teve na introdução Odair Barros Varela. O vídeo completo pode ser visto aqui.

[Na imagem DL de Safende, de 24 de Janeiro de 2015. Foto de RWL]

22/04/2015

"Tiro no escuro"

Primeiro de Maio, diz-se, é dia de luta e de reflexão... e uma reflexão sobre o quadro geral da coisa leva ao questionamento se não será também boa ideia protestar contra o protesto. Eleições, Cabo Verde, obras... tal e qual em 2011, o "Bo Ki Ta Disidi" dá lugar ao "Nu Levá Cabo Verde Pa Frenti" e tal e qual em 2008, o asfalto e o cimento tomam conta da cidade capital... e já que se assumiu que o factor C é hoje o principal capital de ascenção social e o 30 de Março trouxe novas funcionalidades ao elevador social, que tal deixar os políticos formais respirarem um pouco e focar no nepotismo fora do circuito governamental e/ou parlamentar?