01/04/2015

A política foleira ou a foleirice na política?


O salário mínimo do país é 11 mil escudos e embora tivesse entrado em vigor em Janeiro último, muitos ainda não o recebem. Não se avançou mais porque foi dito que a conjuntura económica não era favorável. As cozinheiras das EBI's ainda hoje recebem menos do que o salário mínimo e apenas o recebem durante o ano escolar, ou seja, durante 9 meses. Contudo, a conjuntura é favorável para actualizar o salário dos titulares dos cargos políticos, que segundo o PM, pode até ser agora questionado e reavaliado, juntamente com o salário dos yes man, mas convém não tocar no salário do PR. Estarei eu a delirar ou o PM estará a preparar o assalto ao Palácio do Plateau?

Diz o ponto 2 do artigo 2 do polémico documento, que o vencimento do PR está sujeito à actualização periódica, tendo em conta a evolução da economia nacional e o contexto institucional. Do governo o discurso é que estamos em crise, estando assim em vigor medidas de contenção nas instituições. Da oposição o discurso é que o país está em recessão económica, tendo por isso adoptado o slogan "somos diferentes, fazemos diferentes".

Fosse a conjuntura outra não estaria contra, caso fosse retirado os exageros que mais servem para consolidar uma casta aristocrática à parte e fortemente militarizada. Afinal, sempre "defenderam o povo de Cabo Verde, durante todos estes anos"... e o povo de Cabo Verde é tão foleiro que não consegue enxergar esta dura verdade...

[Na imagem mini-manif de 27 de Março de 2015. Foto de MS]   

31/03/2015

Os foleiros saíram à rua...

Segundo os dados do INE, em 2013, 49.9% da população cabo-verdiana com idade compreendida entre os 15 e 25 anos (35837 jovens) correspondiam à chamada "geração ni-ni", ou seja, não trabalhavam (desempregados ou inactivos) nem estudavam (nunca frequentaram ou frequentava mas não frequentou no momento do inquérito). Sal é a ilha onde este fenómeno preocupava mais (59.9%), seguido da Brava (59.4%), Fogo (57.1%), Santiago (51.5%) e Boa Vista (51.2%). Os nossos governantes (sobretudo os ligado às pastas do sector juvenil) provavelmente dirão que estes são aqueles que não quiseram aproveitar as tantas oportunidades para os jovens, preferindo fazer outras coisas. 

A aprovação dos Estatutos dos Titulares de Cargos Políticos serviu de gatilho para o assalto à rua, agora há que continuar as reivindicações de forma mais abrangente e ancorada num projecto alternativo que sirva de alicerce para futuras lutas populares. 

[Na imagem assalto à rua promovido pela MAC#114. Foto de RWL]

30/03/2015

A rua é e sempre foi dos street soldjas

Os protestos sempre foram inflitrados por oportunistas com agendas ocultas e em Cabo Verde houve a tentativa de partidarizar e criminalizar o de 1994. Contudo, não é por isso que não se sai à rua, desde que se tenha um projecto bem definido. Não o tendo, há que se ocupar o espaço rua ao estilo do "Occupy Wall Street" e construir em colectivo alternativas, evitando ao máximo que a coisa se torne swag ou em mais uma ejaculação social prococe.

E já agora, para lá do ser contra os Estatutos dos Titulares de Cargos Políticos e a favor do veto presidencial, há que se protestar igualmente contra o pornográfico salário dos gestores públicos e coordenadores dos projectos sem prova dada, a segregação das oportunidades e a uma espécie de exploração juvenil na Administração Pública em formato de estágios profissionais, entre muitas outras causas do nosso quotidiano.

Estando nós numa era pós-ideológica, um aporte teórico-empírico sobre as agendas políticas ocultas em Cabo Verde.

[Na imagem o A Semana de 18 de Abril de 1994]

27/03/2015

Sociedade de cunhas

Para lá dos discursos desencontrados em relação aos números do desemprego, a informação de que 90% e 80,3% dos inquiridos consiguiram emprego solicitanto directamente ao empregador e procurando junto de amigos, familiares, etc... (e este etc.. inclui partidos políticos e afins) quer muito dizer sobre o Estado da Nação.

[Imagem de Banksy]

26/03/2015

PROTESTO! by MAC#114

A coisa é simples: os "revolucionários" desta cidade que ocupem as imediações da Assembleia Nacional na hora avançada pela MAC#114 e os das outras ilhas e regiões os espaços simbólicos das suas cidades. Não participar é dar uma procuração de viola-me quando e como quiseres ao sistema político-partidário cabo-verdiano. 

Em modo Golpe di Stadu (Hélio Batalha com participação dos GPI).

[Na imagem cartaz de mobilização da MAC#114]