25/01/2021

Da continuidade colonial

Em Cabo Verde no particular, de forma geral, 10 votos no Ventura (2,58% dos votos) não creio que seja algo preocupante. O que poderá preocupar é a normalização da coisa por gente das ilhas com alguma responsabilidade política, mas sem qualquer consistência ideológica e destes votos virem também de gente assimilada. Nada que este ou este artigo não possa contextualizar.  

[Foto: Mário Macilau, 2010]

22/01/2021

Estado da Nação

Segundo consta, o ano iniciou-se com a abertura oficial do mercado do voto, de resto uma prática já institucionalizada nas ilhas, como apontam este e este artigo.

Não necessariamente ligado a isto, mas na sequência, o que me faz alguma confusão é, tal como no tempo da outra Senhora, não obstante o discurso de fazer diferente, ver a cara institucional da juventude num evento de mobilização partidária da juventude fora do contexto da campanha eleitoral, em nome da juventude cabo-verdiana, o que. a meu ver, além de reforçar a tese de partido-Estado, denota uma evidente falta de sentido de Estado. 

[Foto: Chien-Chi Chang, 1961]

13/01/2021

Nós e o 13 de janeiro

Normalmente se fala dos bastidores da "independência" e é bastante raro falar dos bastidores da "democracia". Da tentativa do bloqueio de uma ala do PAICV que curiosamente veio ser governo no início deste século e no erro da interpretação do partido-Estado de então que o silêncio popular era prova de aprovação ao regime. Sobre este último, um dos integrantes da equipa que realizou o estudo de opinião que, na altura, indicou que os cabo-verdianos estariam satisfeitos com a governação, afirmou certa vez que tal resultado não elucidava a perceção que tinha em alguns bairros da Praia, onde se denotava uma grande insatisfação para com o estado das coisas. 

James C. Scott aponta que nos regimes autoritários (ou de partidos-Estado) a resistência funciona por via da infrapolítica, ou seja, através de discursos ocultos. O 13 de janeiro de 1991 e o que ele representa foi o resultado prático deste mal-estar. Contudo, isto não quer dizer que o MpD é dono do 13 de janeiro. Se houver um dono, é o povo, seja lá qual for o significado disto. 

Infelizmente há uma geração bipolar em termos políticos, devido ao fato de vivermos num contexto em que a memória é higienizada e partidarizada. O certo é que se hoje gritamos nas redes sociais ou nas ruas, embora tal ato possa trazer algum tipo de represália e a maioria desse grito basear-se num qualquer tipo de ressentimento, sem o 13 de janeiro as consequências poderiam ser bem piores. 

[Foto: RWL, 2019]

12/01/2021

Pelo menos desta vez, pela primeira vez na sua história, o país saiu da cima do muro e uma parte da sua classe dirigente do armário


Depois do segundo episódio de ontem e das fotos colocadas na altura pelo tal 'vice' do Chega na sua página do facebook descrevendo a sua estadia e encontros bilateraispenso que está tudo dito sobre os amigos da coisa por cá. Para lá dos olavetes e trumpistas crioulos, Orbans, Bolsonaros e Netanyahus, não se admira se amanhã a madame Le Pen, o Salvini e o resto do movimento supremacista branco e anti-imigração globalista também resolvam aparecer por cá para serem recebidos com honras de Estado

[Foto: Nobuyoshi Araki, 1940]

05/01/2021

Do clientelismo e nepotismo

Das coisas que mais acho piada no sistema político-partidário cabo-verdiano é a sua capacidade seletiva de memória e falta de coerência. Com a mesma veemência que se descreveu em 2014 a nomeação de Humberto Brito a cargo de Governador do Banco de Cabo Verde como clientelismo e nepotismo, hoje, em 2021, se nomeia Óscar Santos para o mesmo cargo.  

[Foto: Raghu Rai, 2000]