22/10/2020

Da corrida ao papel higiénico à mutxulada político-partidária

Por um lado, as eleições do dia 25 e mais especificamente o discurso da senhora de que se receber os dez mil escudos prometidos em tempo de estado de emergência, mas nunca entregue a boa parte de quem de direito, vota numa determinada direção ou de outra que teme que um específico candidato não ganhe, visto se tal acontecer não receberá a casa prometida. Narrativas correntes por esta época e que diz muito sobre o titulo de modelo de democracia e boa governação em África, que alguma ciências sociais que por aqui se faz já tratou de desconstruir. Por outro lado, o aumento dos números de casos registados no país, no dia em que chegou a 90 mortes e 8.000 casos acumulados, que coincide com a pré-campanha e números que se esperam ainda maiores a partir da próxima semana, derivados das mutxuladas político-partidárias promovidos pelos duas maiores associações políticas do país. 

O certo é que 2020 ficará registado como o ano em que o país foi despido e apresentado como ele realmente é, isto é, uma nação de tangas em todas as suas dimensões. Não vai é haver papel higiénico suficiente no mercado para limpar tanta merda. 

[Foto: Annegret Hilse, 2020]

17/10/2020

Da irresponsabilidade político-partidária e dos titulares dos cargos pilíticos

Brigas entre militantes e simpatizantes dos dois maiores partidos políticos não é uma novidade cabo-verdiana e aqui já acontecia nos anos de 1990, sobretudo em Santa Cruz. Ganha novo impulso nos anos de 2000 e intensifica-se já com recrutamento de membros de gangues de rua no período eleitoral 2011-12, como retratado aqui. A juntar à reprodução da violência por parte dos partidos e seus militantes, neste contexto pandémico em que vivemos, não é demais começarmos igualmente a falar da violação do direito à saúde e à vida. 

[Foto: Felipe Dana, 2016]

10/10/2020

Os jovens e a participação política

Há esse analfabetismo funcional em Cabo Verde, fomentado inclusive por alguns pesquisadores, jornalistas, consultores e políticos profissionais, que remetem a participação política às estruturas partidárias, cargos políticos ou aos períodos eleitorais. Essa tendência de considerar organizações ou associações políticas juvenis apenas os jotas. Ou de tomar os vários movimentos surgidos na Praia nos últimos anos como expressões da subpolítica, sem dar conta da carga eurocêntrica e institucional que este termo carrega quando aplicado ao contexto africano. 

Ignorando ou desconhecendo que, de forma organizada ou semi-organizada, o rap já o faz desde os anos de 1990, a política de rua é uma realidade desde, pelo menos, o ano de 2005, sem falar dos movimentos comunitários e transcomunitários ativos desde os finais dos anos de 2000 e intensificado depois dos anos de 2010. Ou seja, aquilo que hoje chamamos de política comunitária. Isto sim, resultado das más decisões, incumprimentos das promessas e arrogância político-partidária.    

[Foto: Yasuyoshi Chiba, 2019]