12/09/2020

Da opção pelo urbanismo bling-bling e arquitectura ornamental

Há sempre os filhos e/ou os funcionários do partido que provavelmente buscam por todos os meios minimizar a coisa. Contudo, há que dizer quatro coisas: 1) ao contrário do que circula, quem sempre viveu na Praia sabe que este não é nem de longe a pior chuva que esta cidade conheceu, pelo menos dos anos de 1980 a esta data, que felizmente nem vento fez, caso contrário o saldo seria bem pior; 2) em 2017, no âmbito do CityRAP, no pilar da gestão do risco e desastre urbano foram identificados várias lacunas, em que se apresentou um conjunto de propostas, mas optou-se pela consolidação do urbanismo bling-bling e arquitectura ornamental; 3) devido a essa opção e a teimosamente se continuar a não pensar a cidade como um todo, de forma estruturante, numa ilha que tem um histórico de chuvas gordas, zonas consolidadas desde os anos de 1960 experimentaram inundações nunca antes vistas; 4) os jovens que antes eram tidos como irresponsáveis e hoje inactivos foram os que fizeram de bombeiros da ocasião em vários lugares, num djunta-mon só estranhado por aqueles que tem o hábito de olhar para a Praia apenas do poleiro social que o eixo centro-sul lhes proporciona.        

[Foto: Mário Macilau, 2020]