20/09/2020

Nós e os Venturas cá da casa

Convém não esquecer que o Ventura só não esteve ainda nas ilhas por causa do fecho das fronteiras em março e segundo o próprio já cá tem tentáculos, como encontra por cá uma tropa autointitulada democrática completamente alienada e reprodutora da conversa do marxismo cultural e, na sequência, de muito destas barbaridades da dita nova direita judaico-cristã. Sobre estes, como diria Meera Nanda, escritora e historiadora indiana, apanhada de um texto de Jandira de Barros, o que há a dizer é que "uma coisa é aceitar um relativismo cultural que respeita a variedade da cultura humana; outra, inteiramente diferente, é dotar um relativismo que transforma esses valores culturais variados no único ou principal padrão de verdade, de modo que a verdade passa a ser simplesmente o que se ajusta a um dado sistema de crenças, ao invés de aquilo que descreve fielmente o mundo que existe independentemente de nossas crenças".    

[Foto: Filipe Dana, 2019]

12/09/2020

Da opção pelo urbanismo bling-bling e arquitectura ornamental

Há sempre os filhos e/ou os funcionários do partido que provavelmente buscam por todos os meios minimizar a coisa. Contudo, há que dizer quatro coisas: 1) ao contrário do que circula, quem sempre viveu na Praia sabe que este não é nem de longe a pior chuva que esta cidade conheceu, pelo menos dos anos de 1980 a esta data, que felizmente nem vento fez, caso contrário o saldo seria bem pior; 2) em 2017, no âmbito do CityRAP, no pilar da gestão do risco e desastre urbano foram identificados várias lacunas, em que se apresentou um conjunto de propostas, mas optou-se pela consolidação do urbanismo bling-bling e arquitectura ornamental; 3) devido a essa opção e a teimosamente se continuar a não pensar a cidade como um todo, de forma estruturante, numa ilha que tem um histórico de chuvas gordas, zonas consolidadas desde os anos de 1960 experimentaram inundações nunca antes vistas; 4) os jovens que antes eram tidos como irresponsáveis e hoje inactivos foram os que fizeram de bombeiros da ocasião em vários lugares, num djunta-mon só estranhado por aqueles que tem o hábito de olhar para a Praia apenas do poleiro social que o eixo centro-sul lhes proporciona.        

[Foto: Mário Macilau, 2020]

07/09/2020

Da hipocrisia social e institucional

Em Cabo Verde e na Praia em particular a vinda de chuva sempre foi uma festa pública de multidão, do tipo festival da chuva. Num contexto em que não chovia de forma abundante há 5 anos, não se podia esperar outra coisa, não obstante a situação epidemiológica do país e do mundo. Portanto, apesar da indignação do IGAE ser compreensiva, peca pela selectividade e promoção de um tipo de estigmatização social já reproduzida em abril pela TCV. 

O que se sabe é que em todos os bairros foi esse o cenário e não apenas no bairro do Brasil da Achada Santo António e há provas visuais de restaurantes in com enchentes de gente dita respeitada, sem falar do carnaval pré-campanha marcada pelas enxurradas de inaugurações de todo o tipo, no entanto, sem que o IGAE tivesse publicamente manifestado a sua indignação.   

[Foto: Daido Moriyama, 1969]

01/09/2020

Malcolm X sobre o self defense 56 anos depois

Quando alguém com este tipo de poder e venerado por olavetes cá das ilhas tem este tipo de discurso no ano XX do século XXI, percebes que esta fala de Malcolm X de há 56 anos atrás faz hoje todo o sentido e que perante este tipo de ódio ao outro diferente todos os meios de defesa pessoal e colectivo se fazem necessários.  

[Imagem: Banksy, 2020]