02/12/2018

Nós e os discursos de conveniência

Apesar do desejo do primeiro-ministro, o que se constata é que Cabo Verde ainda é e vai continuar a ser nos próximos tempos um país repulsivo, principalmente para os cabo-verdianos. O grande desafio governamental, a meu ver, será responder a seguinte questão: como um país que nem sequer tem a capacidade de aproveitar as competências que cá estão (ou melhor dito, um país que tem a capacidade de segregar competências e oportunidades), devido à institucionalização dos esquemas clientelistas, pensa atrair competências da diáspora? E por falar em academia (se é que existe uma academia cabo-verdiana), o que há a dizer é que em tempos chegou ao país um quadro altamente formado e apesar de ter ficado por, pelo menos, duas vezes posicionado no topo dos ditos concursos públicos das instituições do ensino superior, foi ambas as vezes preterido por pessoas com competências bastante duvidosas, mas bastante bem conectadas. A solução foi re-imigrar... e este é apenas um de vários exemplos que não aparecem nas estatísticas oficiais.