28/11/2017

Manifestação contra a gestão criminosa dos parquímetros no Plateau

A EMEP foi criada para organizar os estacionamentos no Plateau. Até aí tudo bem. Contudo, através de uma gestão criminosa, legitimada pela CMP e pelo Sistema de Justiça, o homem que se diz Diretor da coisa, tem recorrido constantemente à prática de extorsão para roubar os munícipes, principalmente aqueles que vivem e trabalham no Plateau. Portanto, em solidariedade para com os lesados do crime institucional estabelecido nas ilhas, associo-me à chamada do Provedor da Praia para a MANIFESTAÇÃO CONTRA A GESTÃO CRIMINOSA DOS PARQUÍMETROS NO PLATEAU. Na quinta-feira, 30, às 17:00, na Praça Alexandre Albuquerque, no Plateau. Concentração a partir das 16:30.

[Na imagem Abuso da EMEP, NÃO!]

26/11/2017

Da série "achologia hi-tech"

O estudo sobre o abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes de 2014 (que sustentou o Plano Nacional de Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes) e o estudo sobre os cuidados de saúde, incluindo a saúde sexual reprodutiva de 2015 apontam para indícios de turismo sexual em Cabo Verde. Sem falar dos casos em que o próprio Estado funciona como uma espécie de "proxeneta". Os campos de pesquisa destes estudos foram as cidades da Praia, Assomada, São Filipe, Mosteiros, Sal Rei, Santa Maria, Mindelo e Vila do Maio. Contudo, este tal de Humberto Lélis, baseado num bem apurado "achómetro hi-tech" diz que tal não existe e que não passam de relatos mitos.

Adenda: e existe ainda o artigo de José Carlos dos Anjos, "A eclosão do turismo sexual em Cabo Verde", quem tem como base, entre outros trabalhos, o estudo diagnóstico da situação de vulnerabilidade das crianças em situação de rua face às IST/VIH/SIDA  de 2005.

24/11/2017

I Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas: África(s), Brasil, Portugal

Entre 6 e 8 de dezembro, na Universidade de Brasília, no Brasil, o I Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas: África(s), Brasil, Portugal. Participarei como palestrante na mesa "Movimentos sociais e a luta antirracista", juntamente com Mamadou Ba e outros dois colegas brasileiros, e, como debatedor, ao lado de Miguel de Barros, na fala da jornalista Joana Gorjão Henriques, sobre "Racismo em português: o lado esquecido do colonialismo".

[Imagem sacada na net]

18/11/2017

Hip hop e produção acadêmica

Este mês de novembro, considerado mês do hip hop, marca uns 30 e tal anos da presença desta cultura urbana em Cabo Verde, já que a sua entrada nas ilhas aconteceu nos anos de 1980 e não nos anos de 1990, como às vezes ouço. Em termos de produção das ciências sociais, o rap tem sido enquadrado nos estudos culturas e em Cabo Verde, apesar de já haver estudos recentes no âmbito cultural, em que na esteira da proposta teórica de Stuart Hall reinterpreta-se temas como identidade e hibridismo cultural, embora faltando o carácter etnográfico, o estudo do rap (e de outras formas de arte e culturas urbanas) é ainda encarado como algo sem sentido e pouco acadêmico. Ainda assim, começa a surgir algumas publicações acadêmicas e alguns trabalhos monográficos de final de curso, em que destaco os meus trabalhos:

2017: Rap e pesquisa etnográfica, Revista Desafios, Cabo Verde.
2015: Cultura de rua e políticas juvenis periféricas: aspetos históricos e um olhar ao hip hop em África e no Brasil, Revista Famecos, Brasil (com R. Martins e M. Barros) .
2015: Do finason ao rap: Cabo Verde e as músicas de intervenção, Buala, Portugal.
2015: Lógicas de desafiar a mudança nas "periferias" do espaço urbano em (i)mobilização, In: Expressões artísticas urbanas: etnografia e criatividade em espaços atlânticos, Brasil.
2012: Rappers cabo-verdianos e participação política juvenil, Revista Tomo, Brasil.
2012: Rap Kriol(u): o pan-africanismo de Cabral na música de intervenção juvenil na Guiné-Bissau e em Cabo-Verde, Revista de Estudos AntiUtilitaristas e PosColoniais, Brasil (com M. Barros).
2012: Cabo Verde. Rap dos anos de 1990: o fenómeno Tchipie na reconstrução e representação da identidade feminina e de resistência, Buala, Portugal.
2011: Tribos urbanas da Praia: os casos dos thugs e dos rappers, In: e-book_In Progress, Portugal. 

[Na imagem Hip Hop Konsienti by Dudu Rodrigues, 2009].

12/11/2017

Sim, delinquentes são os outros

Cheguei a ser contra a instalação dos parquímetros no Plateau, não por achar desnecessário, mas injusto com quem mora e trabalha no bairro. O processo da criação do EMEP foi algo muito pouco transparente e nunca entendi o modelo da colocação de guardas municipais na aplicação de multas, quando em outras partes do mundo, esta atividade surge como oportunidade de criação de empregos, sobretudo para jovens. Por exemplo, muitos "doutores" e demais aspirantes a qualquer coisa ligado ao poder por cá suportaram os estudos etc e tal neste tipo de trabalho. Enfim, opção políticas que só quem os tomou deverá explicar. No entanto, a coisa em si até funciona, mas funcionaria muito melhor se houvesse fiscalização e a CMP não assobiasse para o lado, legitimando assim o Presidente da coisa como o Senhor Todo Poderoso, poder que ele não detêm nem poderá deter. Quem paga os guardas municipais somos nós...  

Em 2014, perante vários episódios de delinquência institucional por parte da EMEP, o Provedor da Justiça de Cabo Verde chegou a denunciar práticas ilegais nas instruções de processos de contra-ordenações e na recusa de venda de dísticos mensais e fez uma série de recomendações, que não sei se foram ou não levadas em consideração. 

Esta denúncia apenas mostra que a EMEP funciona e continua a funcionar como um grupo organizado em práticas ilícitas, nomeadamente extorsão, com cumplicidade da CMP. Há outros casos de residentes do Plateau com dificuldades em obter o dístico anual de moradores de que têm direito, apenas porque o senhor Presidente entende, consultando a si próprio, que não deve conceder. Perante estas situações, o direito de habitação está evidentemente posta em jogo, para além de configurarem atitudes de delinquência institucional. Ainda assim, os responsáveis da nação querem que os cidadãos e, sobretudo os não-cidadãos, acreditem nas instituições cabo-verdianas. Isto depois das denúncias de Amadeu Oliveira, sobre a existência de uma Máfia do Sistema Judicial, assunto, aliás, já denunciado pelo Juiz Conselheiro Raul Varela.      

[Na imagem Gangster Rat by Banksy, 2006]