22/08/2017

Centralização, desconcentração, descentralização, regionalização

O interessante nos últimos meses tem sido a constatação da estreia e da volta de vários "mandadoris di boka", um ano depois da mudança no poleiro político. Acho bem. Contudo, a situação simboliza uma espécie de consolidação do sistema político bi-partidário (ou se preferirem o sistema bi-clubístico) historicamente instalado nas ilhas. É certo também que alguns meninos acabados de trepar o poleiro andam a facilitar. Outra conjuntura política, algumas mesmas práticas da população mirim partidária. 

Ontem MAC#114, hoje Sokols aka Falcões Portugueses de Cabo Verde (aqui bem retratada por Maria Carvalho). Ontem contra o Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos, hoje contra a Centralização aka República de Santiago. Contudo, a bem verdade, é preciso sair da Praia, chegar a uma ilha verdadeiramente periférica, numa localidade periférica da periferia da ilha e lembrar aquilo que Fanon já tinha alertado, há 50 e tal anos atrás.

"Num país subdesenvolvido, os elementos dirigentes do partido devem fugir da capital como da peste. Eles devem residir, à excepção de alguns, nas regiões rurais. Deve-se evitar centralizar tudo na grande cidade. Nenhuma desculpa de ordem administrativa pode legitimar a efervescência de uma capital já superpovoada e superdesenvolvida em relação a nove décimos do território. O partido deve estar o mais possível descentralizado. É a única maneira de ativar as regiões mortas, as regiões que ainda não despertaram para a vida" - Frantz Fanon, 1961. 

[Imagem sacada da net]