31/07/2017

Da série "foi sempre este o meu pensamento e ação"

"Hoje, os partidos e os sistemas partidários estão em crise. Também temos algum esgotamento dos partidos tradicionais". Afirmações do ex-Zé Pinóquio e atual Zé Cara de Lata, que diz ainda que o cansaço e crise dos partidos tradicionais têm levado ao surgimento de movimentos populistas. Para o pai do populismo e tio da partidarização da administração pública em Cabo Verde, a solução passa por uma outra relação das forças políticas tradicionais com a sociedade. 

O que realmente acho disto tudo é que se Zemas ainda não leu Fanon é hora de fazê-lo, não só pelo post anterior a este, mas, e, sobretudo, por tudo aquilo que escreveu no seu último panfleto livresco, que, pelos vistos, serve de orientação ao atual patron di zona, ou não fossem diretrizes internacionais, cuja cartilha a malta segue sem pestanejar.

Voltando à citação inicial, como lembrava Frantz Fanon, em 1961, "a noção de partido é uma noção importada da metrópole". Como recentemente afirmou John Dickie, no seu terceiro livro sobre a historiografia das máfias italianas, partido era o nome como a máfia era conhecida no início. Soubesse Zemas destas coisas, talvez a análise fosse ligeiramente diferente.

[Na imagem John Snow is Cara de Lata 3 by Alan Alan, 2017]