14/04/2017

Um post que diretamente nada tem a ver com a cena da isenção dos vistos apenas aos cidadãos europeus

Sobre a política de migração entre Cabo Verde e União Europeia, num artigo já há algum tempo no prelo, escrevi que tal comportava riscos na medida em que poderia colocar o país numa situação em que facilitaria a retirada coerciva dos nacionais cabo-verdianos e de nacionais de Estados terceiros e apátridas do território europeu sempre que estivessem em situação irregular, sendo que estes últimos poderiam ser deportados para Cabo Verde desde que fosse entendido que tivessem transitado o seu espaço físico no processo migratório. Sendo assim, o papel das ilhas como espaço de deportação onde os indesejados seriam desterrados ganharia novo alento, o que juntando ao receio da islamização, que normalmente é associada à imigração africana, poderia contribuir para o surgimento de conflitos raciais ou étnicos, numa sociedade onde existe uma hierarquização da morabeza. Isto tendo como referência a afirmação salientada por Pedro Marcelino que, em Cabo Verde, na relação com o outro que vem de fora, o indivíduo "branco" é percebido como estrangeiro, o chinês como comerciante e o nacional do continente africano como imigrante.