07/03/2017

Violência policial combina comigo! Parte 2

Entre os anos de 2011 e 2012 participei num projeto de investigação financiado pelo CODESRIA, em que se procurou a partir de uma análise comparada explorar a cobertura dos meios de comunicação social sobre questões de direitos humanos (especificamente a violência do Estado) nos países de língua oficial portuguesa, mais concretamente Moçambique, Angola, Guiné-Bissau e Cabo Verde, durante 20 anos (de 1990 a 2010). Sobre Cabo Verde publiquei já dois artigos e o livro contendo os resultados do estudo deverá ser publicado ainda este ano.

A violência policial é um dos temas em destaque no estudo e sobre o assunto deve-se reter o seguinte: embora se reconheça que a polícia para o melhor cumprimento dos seus deveres necessita de poderes especiais, que devem no entanto ser limitados e só utilizados no cumprimento das ações policiais, torna-se imperativo combater algumas ideias-força vigentes na cultura policial ou mesmo no imaginário popular de que a força policial deverá ser ilimitado, porque os fins justificam os meios, sendo que a crueldade dos criminosos justifica qualquer ação violenta policial, o que poderia acrescentar perante alguns comentários recentes em relação a este último caso, inclusive o assassinato.

Não sei se a intenção avançada pelo MAI terá algum efeito prático, contudo, o certo é que crimes do tipo configuram crime de homicídio e vem acontecendo a já vários anos.