22/01/2017

Decolonizar é o caminho...

A antropóloga cabo-verdiana Celeste Fortes tem sido uma das maiores vozes a se insurgir publicamente contra aquilo que pode ser chamado de uma tentativa de "genocídio científico" da nova geração de pesquisadores cabo-verdianos por parte dos pesquisadores mais velhos, por um lado, e de alguns cabo-verdianistas, por outro. Esta malta tende a criar um gueto de citações do tipo: cito-me para que me cites, mas evite citar os outros para que não se sintam legitimados. Existe também aqueles que impedem os seus orientandos de citar os não pertencentes ao gueto ou aqueles coitados que simplesmente não o fazem por preguiça. Citar um pesquisador é afirmar que este tem direito de existir naquilo que convém designar por comunidade científica. Sendo assim, como explica o sociólogo camaronês Jean-Marc Ela acerca deste assunto no contexto africano, intencionalmente a estratégia desta malta prende-se com o medo de perder o monopólio dos discursos acerca dos assuntos cabo-verdianos e por isso o único remédio ao alcance é ignorar, sobretudo quando tentam passar a ideia de terem descoberto a pólvora. No entanto, o que ainda não perceberam é que uma pesquisa de qualidade não precisa de empurrões porque impõe-se por si só.