29/01/2017

A volta do tempo que nunca partiu

Numa altura em que tanto se fala em cooperação científica, não ter consciência de que o que aqui se tem feito nessa matéria não passa de uma reprodução do modelo de pesquisa de tipo colonial é estar-se intelectualmente desatento.

Sobre esta matéria, Jean-Marc Ela, escreveu que aquilo que se designa de cooperação científica, a partir da lógica de se estar a trazer à África as Luzes do Ocidente (a meu ver, tanto por via da Europa como por via das Américas), traduz a estranha sensação de que os campos de pesquisa estão em África e os conhecimentos no Ocidente, sem falar da processo de canibalização do outro em que tal prática se inscreve, como são provas os inúmeros casos por cá observados.

Aquilo a que chamei de sociologia da transgressão, no International Conference Activisms in Africa, realizado ainda este mês, em Lisboa, encontra inspiração na ideia de epistemologia da transgressão de Ela e pretende ser uma arma epistemológica com capacidade bélica de abrir uma brecha na Cidadela científica do Norte, uma vez que há que "reconhecer que se a ciência moderna não começou com o Ocidente, a mesma também não termina com ele".