02/11/2016

Das continuidades históricas

Na edição n. 2, do Jornal O Manduco, de Setembro de 1928, com o título "Administradores... de concelhos", escreve-se o seguinte:

"São funcionários por nomeação arbitrária (...). Não representam os interesses legítimos do município senão os particulares da entidade que o nomeou. A sua função não é nem mais nem menos que uma consentida espionagem política. Daí a sua absoluta sujeição às vicissitudes das lutas partidárias. Mas em Cabo Verde temo-los visto agarrados sofregadamente ao cargo como modo de vida ou como pedestal de imaginadas grandesas e reais mesquinhas vinganças. A vida e na verdade um oceano de miséria (...) um e o outro não largam o osso por mais pontapés que apanham."

Quase 90 anos após este texto (hoje diríamos post), a coisa não mudou muito nestas ilhas à beira-mar a secar.

[Na imagem Glenn by Jean-Michel Basquiat, 1984]