01/10/2016

Da classe perigosa

Guy Standing apresenta o termo precariado em 2011, uma categoria criada nos anos de 1980 através da junção dos termos "precário" e "proletário", para designar uma classe emergente constituida por um número cada vez maior de pessoas que enfrentam vidas profissionais regidas pela insegurança. Uma classe com o potencial de provocar inatabilidade social pelo facto de circularem entre trabalhos temporáreos que acrescentam pouco significado e sentimento de pertença e realização pessoal às suas vidas, o que os torna frustados e revoltados. Esta situação explica porque dão-se pouco ao trabalho de votar em eleições, seja de que tipo for, o que têm contribuído para a erosão da legitimidade da democracia eleitoral a nível mundial.

Neste preciso momento em que se discute nas ilhas a cena da abstenção, o maior adversário de Zona numas eleições pouco sexy e beaucoup de chato, salvo as tiradas cómicas do tal senhor que afirma que caso ganhe irá aumentar o salário mínimo para números superiores ao salário médio, que tem garantido 500 milhões de financiamento para o desenvolvimento do país ou que toda a campanha do Marcelo Rebelo de Sousa nas últimas eleições presidenciais portuguesas foi copiada na sua campanha de 2011 graças às redes sociais, o que resta aos analistas eleitorais de prontidão é saírem da sua zona de conforto e actualizarem um pouco o seu repertório teórico-empírico.

Penso que a certos níveis de articulação teoria e prática não é preciso muita imaginação sociológica para se perceber também a relação da coisa em cima dita com a tão falada transacção de votos e a questão da violência individual e grupal no arquipélago dito de "morabeza".

[Imagem retirada do mural do facebook de Tchalé Figueira]