23/05/2016

Policy | politics

Nisto de chuvas de candidatos a candidatos às Câmaras Municipais, o que me interessa obviamente é a da minha cidade, Praia. Do PAICV não faço a mínima ideia quem possa vir a ser, embora já ouvi dizer que irá depender do nome que sair da escolha do MPD. Deste, entre um candidato com capital social negativo, um teimosamente teimoso e um com peso político (os restantes impostos pelo partido à sondagem não interessam a nada a esta posta), prefiro o último, entendendo ser este a mais valia de Agostinho Lopes. No entanto, o que eu preferir ou deixar de preferir não interessa a quem realmente deveria interessar, mas acho que seria um erro enorme os chefes verdes não partilhassem esta visão, visto que iriam sentir a médio-longo prazo este erro num contexto em que o costumeiro é pensar a curto prazo. 

O edil anterior teve a competência de embelezar a cidade e levantar o auto-estima dos seus habitantes, mas ambos sabemos que para se chegar ao tal desejado bem-estar e felicidade (nova moda no discurso político berdiano) é preciso aprofundar muito mais a coisa, o que uma suposta continuidade, por razões expressas acima, não irá alcançar (a não ser mudarem radicalmente o chip). Ainda mais quando a cidade capital está prestes a se transformar em uma gigantesca e luxuosa máquina de lavar dinheiro, com todos os desafios que esta transformação comportará (que obviamente ainda nem deram conta).

E isto leva-nos ao tema da moda, o da segurança. Antes de mais, penso que centrar a discussão na dimensão policial e/ou militar (aka repressão) é muito limitada. Conceptualmente, eu punha a coisa na dimensão da segurança humana, mas isso levaria-nos a outras discussões que muitos acham serem falsas questões. Nesta matéria, a visão do governo é clara: Política de Tolerância Zero (buscado no chamado Paradigma Criminal Inquisitório). Isto é, a continuidade daquilo que o PAICV vinha praticando desde 2005, com um saldo nulo (e aqui o discurso somos diferentes e fazemos diferentes não cola). Mas, sobre esta matéria irei debruçar num espaço melhor indicado. Sendo assim, resta então às Câmaras Municipais (e não só) o papel de complemento a esta política e é aqui que falta visão aos dois candidatos do mainstream partidário. 

Polícia Municipal. É esta a resposta camarária enquadrada na estratégia partidária em curso. A ideia até seria boa caso deixassem de lado o modelo português (que o brasileiro pior é ainda) da coisa, que nada tem a ver com a nossa realidade. Aliás, tal modelo apenas serviria caso a jurisdição da Polícia Municipal ficasse limitado ao Plateau. Mas lá está... importar modelos é o que realmente sabemos e é esta a visão dos dois primeiros candidatos a candidatos referidos. 

Desde pequeno ouço dizer que a cabeça foi feita para pensar... mas insistimos em não furtar a cultura do macaco e do papagaio.