18/05/2016

Do optimismo trágico... parte III

A opção seria ter um projecto integrado, capaz de revitalizar a economia urbana, bem como criar melhores condições para a vida piscatória da cidade, sobretudo do bairro do Brasil, ou um projecto segregado (gentrificado), capaz de revitalizar a economia dos grupos que gravitam à volta do poder, assim como potenciar a chegada de organizações criminosas transnacionais. A opção seria, portanto, entre os projectos Marina e Hotel-Casino. O que se sabe é que o primeiro projecto levou um monumental "kasu-bodi" institucional, tendo o governo central em conluio com o local optado pelo segundo, simplesmente porque podem fazê-lo sem dar cavaco a ninguém.

Diz um dos membros da AJIC, suponho que o seu Presidente, já para lá de "jovem", que "tem havido um certo silêncio a respeito deste projecto, nomeadamente dos universitários, das ONG's, Igrejas, etc". Eu o que digo é que a desonestidade é um grande problema cabo-verdiano. Relembro esta, esta e esta posta, bem como esta sobre a ocupação do Djéu no ano passado. Em relação à promoção de discussões sobre o assunto, o DL de Agosto último é elucidativo. Com isto quero dizer que acho bem que se promova debates sobre este e outros temas candentes, mas não ignorando que o que tem matado a cidadania crítica colectiva nas ilhas é a desonestidade intelectual de uns e o "umbiguismo crioulo" de outros.  

Adenda: Debate sobre o assunto no Espaço Público da RCV em Fevereiro último.

[Na imagem Djéu da Praia. Foto de RWL, 2015]