24/05/2016

Assembleia Nacional etc e tal

Há já algum tempo que não tinha visto ou ouvido as discussões na Assembleia Nacional. Achei piada e diria que o novo ciclo político parlamentar parece ter iniciado bem, o que não quer dizer que irei continuar a seguir. Logo se vê... das coisas ditas apetece fazer duas afirmações: 1) sobre os cargos de gestão da coisa pública necessário é varrer a casa caso contrário continuará tudo na mesma. Há Directores, Presidentes e afins há décadas no mesmo cargo sem qualquer resultado efectivo e gente colocada em lugares estranhos à sua formação que só lá estão por questões meramente partidárias ou de parentesco. 2) fala-se tanto de morosidade da justiça mas não se diz o essencial que tem entupido o sistema. O problema da incompetência e da preguiça de alguns agentes judiciais.   

[Na imagem Untitled (God/Law) by Jean-Michel Basquiat, 1981]

23/05/2016

Policy | politics

Nisto de chuvas de candidatos a candidatos às Câmaras Municipais, o que me interessa obviamente é a da minha cidade, Praia. Do PAICV não faço a mínima ideia quem possa vir a ser, embora já ouvi dizer que irá depender do nome que sair da escolha do MPD. Deste, entre um candidato com capital social negativo, um teimosamente teimoso e um com peso político (os restantes impostos pelo partido à sondagem não interessam a nada a esta posta), prefiro o último, entendendo ser este a mais valia de Agostinho Lopes. No entanto, o que eu preferir ou deixar de preferir não interessa a quem realmente deveria interessar, mas acho que seria um erro enorme os chefes verdes não partilhassem esta visão, visto que iriam sentir a médio-longo prazo este erro num contexto em que o costumeiro é pensar a curto prazo. 

O edil anterior teve a competência de embelezar a cidade e levantar o auto-estima dos seus habitantes, mas ambos sabemos que para se chegar ao tal desejado bem-estar e felicidade (nova moda no discurso político berdiano) é preciso aprofundar muito mais a coisa, o que uma suposta continuidade, por razões expressas acima, não irá alcançar (a não ser mudarem radicalmente o chip). Ainda mais quando a cidade capital está prestes a se transformar em uma gigantesca e luxuosa máquina de lavar dinheiro, com todos os desafios que esta transformação comportará (que obviamente ainda nem deram conta).

E isto leva-nos ao tema da moda, o da segurança. Antes de mais, penso que centrar a discussão na dimensão policial e/ou militar (aka repressão) é muito limitada. Conceptualmente, eu punha a coisa na dimensão da segurança humana, mas isso levaria-nos a outras discussões que muitos acham serem falsas questões. Nesta matéria, a visão do governo é clara: Política de Tolerância Zero (buscado no chamado Paradigma Criminal Inquisitório). Isto é, a continuidade daquilo que o PAICV vinha praticando desde 2005, com um saldo nulo (e aqui o discurso somos diferentes e fazemos diferentes não cola). Mas, sobre esta matéria irei debruçar num espaço melhor indicado. Sendo assim, resta então às Câmaras Municipais (e não só) o papel de complemento a esta política e é aqui que falta visão aos dois candidatos do mainstream partidário. 

Polícia Municipal. É esta a resposta camarária enquadrada na estratégia partidária em curso. A ideia até seria boa caso deixassem de lado o modelo português (que o brasileiro pior é ainda) da coisa, que nada tem a ver com a nossa realidade. Aliás, tal modelo apenas serviria caso a jurisdição da Polícia Municipal ficasse limitado ao Plateau. Mas lá está... importar modelos é o que realmente sabemos e é esta a visão dos dois primeiros candidatos a candidatos referidos. 

Desde pequeno ouço dizer que a cabeça foi feita para pensar... mas insistimos em não furtar a cultura do macaco e do papagaio.

21/05/2016

Straight Outta Lenfer dos Karaka

Há quem ache que a afirmação do rap cabo-verdiano passa pela presença constante nos circuitos dos festivais da música cabo-verdiana acompanhada de uma banda. Nada contra e ainda bem que assim é para alguns... no entanto, a meu ver, como mostram casos recentes, o que realmente esta situação representa é a afirmação de indivíduos particulares que perdem juntamente com as suas narrativas o estatuto de sujeitos. O que se tem tomado como a sua afirmação é simplesmente o seu reconhecimento em espaços de afirmação mainstream. Álbuns como Straight Outta Lenfer (baixar aqui), tal como muitos outros álbuns undergrounds de grupos activos no circuito da street provam de que o rap cabo-verdiano afirmou-se há já algum tempo.     

[Na imagem capa de Straight Outta Lenfer dos Karaka]

18/05/2016

Do optimismo trágico... parte III

A opção seria ter um projecto integrado, capaz de revitalizar a economia urbana, bem como criar melhores condições para a vida piscatória da cidade, sobretudo do bairro do Brasil, ou um projecto segregado (gentrificado), capaz de revitalizar a economia dos grupos que gravitam à volta do poder, assim como potenciar a chegada de organizações criminosas transnacionais. A opção seria, portanto, entre os projectos Marina e Hotel-Casino. O que se sabe é que o primeiro projecto levou um monumental "kasu-bodi" institucional, tendo o governo central em conluio com o local optado pelo segundo, simplesmente porque podem fazê-lo sem dar cavaco a ninguém.

Diz um dos membros da AJIC, suponho que o seu Presidente, já para lá de "jovem", que "tem havido um certo silêncio a respeito deste projecto, nomeadamente dos universitários, das ONG's, Igrejas, etc". Eu o que digo é que a desonestidade é um grande problema cabo-verdiano. Relembro esta, esta e esta posta, bem como esta sobre a ocupação do Djéu no ano passado. Em relação à promoção de discussões sobre o assunto, o DL de Agosto último é elucidativo. Com isto quero dizer que acho bem que se promova debates sobre este e outros temas candentes, mas não ignorando que o que tem matado a cidadania crítica colectiva nas ilhas é a desonestidade intelectual de uns e o "umbiguismo crioulo" de outros.  

Adenda: Debate sobre o assunto no Espaço Público da RCV em Fevereiro último.

[Na imagem Djéu da Praia. Foto de RWL, 2015]

11/05/2016

Ensino Superior e Pesquisa no ProGovIXLeg

O Programa de Governo da IX Legislatura está uma coisa muito sexy, sobretudo na parte do Ensino Superior e Promoção de Pesquisa. Escreveu-se ali, entre outras coisas, que se vai criar um Fundo Nacional de Apoio à Pesquisa e Regular (sem expedientes de "djobi pa ladu", já costumeiros por estas bandas) as Instituições do Ensino Superior de modo a garantir a qualidade. Até lá, em modo Do It Yourself que me é característico, irei continuar a dar aulas de forma precária como tem sido desde 2008 e financiar as minhas pesquisas e participações em (alguns) Congressos Internacionais através das consultorias (etc e tal) que a Máfia da coisa deixar escapar. De resto, para além da necessidade de se desbloquear e despartidarizar imediatamente a Uni-CV, uma releitura deste post faz-se útil.

[Na imagem Steve Jobs by Banksy]

05/05/2016

"Mi Tanbe N Krê"

Seguindo a moda do pós-20 de Março, intensificado nas últimas semanas, como não recebi telefonema de nenhum gabinete ministerial a oferecer um tacho, aproveito o tsunami de disponibilidades no seio do partido de momento para, igualmente, avançar a minha disponibilidade como candidato dos verdes à Presidência de uma Câmara Municipal qualquer do país, sob o lema "Mi Tanbe N Krê".  

[Imagem de Banksy]