12/04/2016

III Colóquio Doutoral

No estudo dos gangues, o mais importante não é procurar as diferenças entre eles mas as suas semelhanças. O mais importante é tomar os thugs como semelhantes aos seus cousins norte-americanos (sua referência inicial), cariocas (sua referência posterior) ou de qualquer outra cidade global do planeta e não como uma mera imitação destes. Colaboro da ideia dos actuais especialistas em gangues que para uma melhor compreensão do fenómeno com vista a uma intervenção mais eficiente, que contorne o discurso político militarizado suportado pela ideologia da Tolerância Zero, hoje também reproduzida nas nossas universidades, há que deslocar a análise das dimensões lei e ordem e/ou normas e valores (e os seus laivos eurocêntricos) para a análise da dimensão identitária. Igualmente, para além das fontes de informação etnográficas tradicionais, há que se tomar como fonte tanto o gangsta rap como o chamado rap consciente produzido nas ilhas. 

Na próxima semana, no III Colóquio Doutoral da Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL, apresentarei a comunicação "Street fighters: jovens, processos identitários e gangues de rua na cidade da Praia", onde reflicto a pertinência do uso do conceito identidade social no estudo dos gangues em Cabo Verde, isto porque a importação e apropriação da identidade thug por parte dos seus membros evidencia produções de identidades simultaneamente de semelhança e diferença, assim como produções de pertenças assentes no antagonismo violento com outros grupos sociais baseados em bairros similares ou distintos.
  
[Na imagem gravação do vídeo Konsiensia dos Wolf Gang, 2014]