28/04/2016

Nós, a histeria cibernética e as políticas de avestruz

É evidente que fazemos parte da sociedade global fast-food e histérica, com a particularidade de continuarmos teimosamente a acreditar na tese da sociedade de brandos costumes aka de "morabeza" e destinados a seguir políticas de avestruz. Não sei se este governo terá coragem de fazer as rupturas estruturais necessárias, que só vontade não chega. Lembro-me de ter escrito em 2013, no rescaldo dos acontecimentos de 2011, para um capítulo de um livro qualquer, que cerca de 20% dos presos na Cadeia Central da Praia passaram pelo serviço militar e que a maior preocupação da chefia policial, na altura, era lidar com agrupamentos associados a comportamentos delinquentes liderados ou tendo como membros ex-fuzileiros. Quando se vive numa situação sentimental que varia entre aspirações e frustrações, o mal-estar social e/ou individual provocado por este último, derivado da estrutura de oportunidades segregadas que continuamos a reproduzir, poderá transformar em algo explosivo. O que mediaticamente se vem chamando de "Massacre de Monte Tchota" tem muito a ver com isto, como tem a ver com o perigo dos resultados perversos da ideologia de Tolerância Zero e com o que de mau o bullyng militar (de colegas e, principalmente, de superiores) poderá provocar na estrutura mental de um jovem inserido numa sociedade culturalmente hipermasculinizada. Assim é nas Forças Armadas, bem como nas Forças Policiais... etc e tal.

Adenda: PR aceita demissão do Chefe de Estado-Maior das Forças Armadas.
      
[Imagem de Banksy]