25/03/2016

"come crawling faster / obey your master"

Master of Puppets, terceiro álbum dos Metallica, é o primeiro registo de metal a ser admitido na Biblioteca do Congresso dos EUA para preservação. Por cá, aberta a época de festa religiosa e de bajulação política, nada melhor que o refrão "come crawling faster / obey your master / your life burns faster / obey your master / Master" para abrir o fim-de-semana.  

[Na imagem capa de "Master of Puppets", 1986]

21/03/2016

Here we go... another day, another strike


Achei piada à intervenção hoje de manhã da jornalista da Lusa no SIC Notícias sobre as eleições de ontem. Não sei se foi frete mas penso que os resultados de ontem só surpreenderam os fanáticos e os que teimam em olhar a realidade do país da Corte ou através dos rankings internacionais feitos sem nenhum contacto com o terreno. Quem tem sofrido as consequências do capitalismo de compadrio, nepotismos e afins, consolidado nas ilhas nos últimos anos de boa governação tambarina, falou nas urnas. O som da mudança estava nas ruas para quem quisesse ouvir. Quanto a mim, adepto ferrenho da abstenção e do chamado voto útil, o dia seguinte é "here we go... another day, another strike". Ao espírito do Seek 'N' Strike dos Soulfly.

17/03/2016

"Subterraneament, Activ" de Victor Duarte

Quando se fala de um rap que toma em consideração tanto as estruturas como os sujeitos, fintando assim um movimento de (des)indigenização do rap em forja nas ilhas, vítima de uma violência simbólica sem precedentes, o nome de Victor Duarte surge naturalmente.

"Subterraneament, Activ", o seu novo trabalho, para baixar aqui. "2 Lod Da Mesma Moeda" para ouvir aqui.

[Na imagem capa de Subterraneament, Activ, 2016]

16/03/2016

Família, delinquência e reprodução da "barbaridade intelectual"

Em 2008, o Ministério da Justiça pagou por um pseudo-estudo sobre a delinquência juvenil em Cabo Verde para chegar à brilhante conclusão de que uma das causas principais da coisa seria a permanência nas ilhas da tal coisa da família desestruturada*. Sustentado por um ultraconservadorismo bacoco, considerou ainda que a união de facto é uma manifestação desta desestruturação. Hoje, através do canal You Tube da TV Record fico a saber pela boca de um destacado doutor malthusiano cá da praça que a solução para o combate à coisa passa pela sensibilização das mulheres muito pobres em como não devem ter filhos que normalmente vão-se transformar mais tarde em delinquentes. Neste último caso, gostaria de saber se a culpa da reprodução deste tipo de "barbaridade intelectual" é da jornalista que na ânsia de legitimar a reportagem legitima o discurso tonto deste tipo de doutores especialistas em ideias gerais ou se é deste doutor que não tendo a noção do ridículo transforma o nosso ouvido num contentor de lixo.

*De entre muitos outros trabalhos que desconstroem este argumento colonial e tosco, destaco os estudos de Lucia Oca González, Andreia Lobo e Filipe Martins & Celeste Fortes (aqui, aqui e aqui).  

Identidade e diferença

Por aquilo que vou lento e ouvindo a respeito do momento eleitoral que ora se atravessa, é coisa para dizer que a imbecilidade, momentaneamente (ou a confirmação de uma continuidade que só o pós-domingo próximo dirá), tomou conta desta nação dita global. 

O conceito identidade partidária (algo, que eu saiba, não trabalhado por estas bandas) poderia ser uma variável importante no entendimento do posicionamento de determinadas figuras no período eleitoral. Entretanto, penso que tal conceito seria ineficaz na explicação dos comportamentos Two-Faces, algo que vou aqui e ali descobrindo através desta coisa tramada que responde pelo nome de redes sociais. Uns quiçá pela defesa de cargos (ou de seus próximos), outros quiçá por um desejo de aceder a cargos (ou de seus próximos). Nada contra, que cada um é livre de escolher e fazer o que bem entender, desde que fique por essa escolha e evite desqualificar o outro. Quanto a isto, nada mais eficaz de que ler a dinâmica desse nosso espaço social global relacionando os conceitos identidade e diferença. Afinal, somos uma sociedade de plantações.

O melhor, aproveitando que nos aproximamos de Abril, mês do rock, pelo menos na Praia, é relembrar "Minimu na Panela" de Sana Pepper, o homenageado do Grito Rock Praia 2016 (noticiado pelo Feedback). Este sim, uma figura autêntica...

Adenda: na maneira como eu vejo as coisas, isto de seguir a líder (a pessoa) é meio caminho acelerado para o totalitarismo. Ainda mais quando a pessoa identificada como líder apresenta tiques ditatoriais.  

[Na imagem Two-Faces, Batman Arkham Knight (PS4), 2015]

09/03/2016

Da série "quem reduz menos o desemprego juvenil"

Como tínhamos apontado neste artigo, a comparação dos dados de desemprego na Praia nos anos de 2012 e 2013, que aumentou 5,6%, quando relacionado com o material de campo que serviu de base da escrita do mesmo, leva a supor que o contexto eleitoral poderá criar oportunidades laborais sazonais aos jovens. Isto porque os 37,8% de subempregados contabilizados pelo INE em 2013 quando somado à dificuldade no acesso às oportunidades laborais abre possibilidades ao recrutamento partidário dos jovens durante as eleições. A este fenómeno, que se enquadra num fenómeno maior, chamamos de "mercenarismo juvenil". Isto para dizer que, tendo em conta a forma como o INE calcula a taxa de emprego, com certeza que, pelo menos este ano, o desemprego, sobretudo o juvenil, irá diminuir. 

Ontem, conhecido como dia internacional da mulher, Praia acordou com as suas principais rotundas invadidas por jovens e menos jovens (des)empregados a saudar as mulheres da capital. Era tudo vermelho. Hoje, hora do almoço, as principais rotundas da capital findaram a manhã com o amarelo da Janira, a mulher stribilin e bodona. É o que diziam os cartazes ao lado da foto da líder paicvista. Achei piada três coisas: 1) a pessoalização de uma eleição para compor os assentos da assembleia nacional (o mesmo faz o MPD); 2) a tentativa forçada de apresentar a ex-ministra de várias pastas governamentais como o protótipo da mulher cabo-verdiana; 3) a utilização de atributos nativos machistas para designar uma mulher que se quer vender como a the best de entre o universo dos humanos.

07/03/2016

Da colonização mental

Numa época em que se tentam golpes de estados epistemológicos e que pessoas aparentemente inteligentes transformam-se momentaneamente em idiotas, fruto do espectro da ausência de algo alcançado, torna-se forçoso recordar esta comunicação, proferida em Maio de 2012, que a bom dizer, contribuiu para a consolidação de um mal-estar institucional.   

[Imagem de Tchale Figueira]

04/03/2016

Cabo Verde e a institucionalização da categoria jovem

Diz os dados do INE que 15,8% de cabo-verdianos estão no desemprego e que destes, 35,8% são jovens. Certo. O que parece que os assessores do PAICV desconhecem (e não por ignorância) é que, em Cabo Verde, institucionalmente, a categoria jovem compreende os indivíduos com idade entre os 15 e 29 anos, embora na prática ela está mais próxima da Carta Africana da Juventude que estipula como categoria jovem os indivíduos com idade entre os 15 e 35 anos. Os indivíduos com idade compreendida entre os 15 e 24 correspondem, institucionalmente, à uma das sub-categorias da categoria jovem. E falta apenas lembrar que esta classificação etária foi institucionalizada pelo Ministério da Juventude etc e tal, através do Plano Estratégico da Juventude, aprovado em 2013, em vigor até 2020.

[Imagem]

02/03/2016

IX Congresso Português de Sociologia

A comunicação "Narcotráfico, gangues de rua e políticas de segurança: problematizando as violências urbanas em Cabo Verde" foi aceite no IX Congresso Português de Sociologia, a realizar em Julho, na cidade algarvia de Faro, Portugal, cujo conteúdo visa três objectivos: 1) problematizar o fenómeno da violência em Cabo Verde e sua relação com o espaço urbano; 2) examinar a relação do narcotráfico internacional com o aumento de gangues de rua nos principais centros urbanos do país; 3) analisar a gestão da segurança pelas autoridades locais auxiliados por instituições internacionais. 

[Na imagem cartaz do Congresso]

01/03/2016

Cabo Verde e o fenómeno dos job for the old's

Atacar a líder do partido que suporta o governo com aquela coisa do nepotismo só fará sentido quando relacionado com a segregação das oportunidades, o desemprego, a precariedade laboral etc. e tal, caso contrário está-se a vomitar chavões vazios.