05/02/2016

Da série "por favor chamem uma ambulância"

É um facto de que, em Cabo Verde (que é o que interessa aqui), o período eleitoral é aquele momento em que as pessoas perdem a noção do ridículo (ainda mais quando coincide com o período carnavalesco). Tenho a Carla Carvalho, pessoa que estimo muito, como inteligente e uma referência da sua geração, por isso devo entender este artigo (na sequência deste) como um desabafo de alguém com sintomas de "partidite aguda", uma doença que está eleição a eleição a transformar-se numa questão de saúde pública. Só fazendo este enquadramento patológico poderei entender o argumento de que votar na líder do PAICV é um acto de activismo pela igualdade de género ou, pior ainda, que quem não o fizer não poderá no futuro levantar a bandeira de igualdade de género. Deve haver outros atributos que se lhe possa trazer vantagens. Embora penso que cada um deva apoiar quem bem entender e da forma como bem entender, argumentos ridículos como os apresentados nesse último artigo, em que a bandeira da ciência através da sociologia (que a sociologia pública não é isso) é hasteada, é no mínimo reprovável. É que de repente isto está a deixar de ser uma luta político-partidária ou de argumentos políticos para se tornar numa luta sexista entre mulher e homem. 

[Imagem de Misha Gordin]