27/02/2016

Da promoção da delinquência

Isto começou como já se esperava. Mesmo muito mal. Primeiro: a campanha eleitoral só começa legalmente na próxima semana. Segundo: mesmo que já se tenha começado, "a campanha eleitoral consiste na apresentação das propostas e programas político-eleitorais e na justificação e promoção das candidaturas, com vista à captação de votos, no respeito pelas regras do estado de direito democrático". Terceiro: sendo assim, "é proibido o recurso à actuação de agrupamentos musicais ou artistas na realização de comícios ou reuniões públicas de campanha eleitoral... excepto artistas culturais tradicionais... de carácter marcadamente local ou comunitário e de cariz amador". 

Obviamente não se pode esperar que um burro aja de um momento para outro como um cavalo quando tudo o que aprendeu na vida foi viver como um burro. Pierre Bourdieu chama a isso de habitus. Mas o mais curioso nesta história é a (in)acção da chefia policial da Praia. A mesma que há uns meses atrás tentou impedir por ordens superiores e de forma ilegal o concerto do rapper Hélio Batalha no Warehouse.

Depois fala-se de delinquência etc e tal. Quando o próprio partido-Estado no momento em que não age como tal, a incentiva. Infelizmente terei de dar razão aos apontamentos de Roberto Briceno-León sobre a violência urbana na Venezuela. É caso para perguntar, e agora?

Adenda: e eu que li o livro de Zemas, confesso que tinha pensado que o impossível já tinha sido transformado em possivel... estou confuso.

[Imagem de Misha Gordin]