31/01/2016

Why so serious?

Segundo o relatório do Consejo Ciudadano para la Seguridad Pública y Justicia Penal A.C., Caracas, capital da Venezuela, foi em 2015 a cidade mais violenta do mundo com uma taxa de homicídio de 119.87. No último lugar do Top 50 encontra-se a cidade mexicana de Obergón com uma taxa de homicídio de 28.29. Um dos principais critérios considerados na feitura desse ranking foi considerar na análise apenas cidades com 300 mil ou mais habitantes. Ou seja, uma cidade do tamanho da Praia fica automaticamente de fora. No entanto, tendo em conta que a taxa de homicídio é calculado dividindo o número dos homicídios com o número dos habitantes da cidade analisada e o resultado é multiplicado por 100 mil, diria que, pegando num dos anos trabalhado neste artigo (base também da comunicação apresentada no III Fórum Internacional sobre Segurança Urbana organizada pela Câmara Municipal da Praia, em 2014), em 2012 a taxa de homicídio na cidade capital foi de 25.81. Nesse mesmo ano, a cidade de Joanesburgo na África do Sul ficou classificado no último lugar do Top 50 das cidades mais violentas do mundo, com uma taxa de homicídio de 30.50. 

Ler na página 59 da Plataforma Eleitoral do MPD que o crime não se explica directamente por factores sociais ou económicos mas sim exclusivamente pelas incivilidades (embora reconheça o grande peso dos "ilícitos administrativos" no incentivo da coisa) deve ser considerado um andar para trás em relação aos últimos avanços teóricos-empíricos no estudo da criminalidade a nível global, sem falar do perigo da importação a 100% de soluções teóricas falhadas em contextos diferentes daqueles em que foi testada. E já agora, não custava nada saber que o paradigma da Tolerância Zero aplicada como resposta ao aumento da criminalidade está em vigor nas ilhas desde 2005 sem nenhum resultado prático. 

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