12/01/2016

Democracia etc e tal

O Expresso das Ilhas sai hoje em defesa da democracia representativa. Escrevem eles no editorial da edição 737. Ok. Eu sou mais pela democracia directa. Tipo ser eu e não o Partido a escolher o meu representante tanto na Assembleia Nacional como na Assembleia Municipal, entre umas outras tantas coisinhas.

Tal como em 1991, o MPD (e esta capa do Expresso das Ilhas nada tem de inocente) parte para a campanha contra um Partido com 15 anos de poder, que nos últimos anos (ou desde o início) têm constantemente esquecido qual a fronteira existente entre o Partido e o Estado. Tal como em 2011, o PAICV, através do Governo, aposta nas promessas de mais direitos sociais (desta vez o subsídio de desemprego, a retoma do programa Casa Para Todos, etc.) e o MPD inverte a lógica apostando no betão e estende o slogam "Tem Solução" para o território nacional ao estilo "Mesti Manti". A líder do PAICV faz de conta que nada tem a ver com os últimos anos de governação e investe no pujante "Mesti Muda". Aliás, um discurso pedido, em parte, de empréstimo ao Zemas, o gestor das impossibilidades, que nas palavras de um poeta-pensador cá da praça "(re)escreve narrativas, força releituras e desconstrói metanarrativas". Convém lembrar que foi este poeta do facebook que actualizou o termo depois da sua visita à Singapura, onde cheirou a fórmula da chamada Alternativa Asiática empreitado por Lee Kuan Yew, com o célebre slogan "Mudar de Chip".

Na ausência de um movimento social, na acepção sociológica do termo, que ponha respeito nesta merda, mesmo não ignorando os partidos pequenos que vão ao voto (que a última vez que votei nas legislativas, em 2001, foi na Alternativa Democrática encabeçadas por Eurico Monteiro e Onésimo Silveira), a lógica diz que o voto útil poderá ser no MPD, não porque são diferentes mas porque poderá significar uma ruptura simbólica com a ditadura (nas suas mais variadas dimensões) expressada em mais 5 anos (somando 20 anos) do submarino amarelo no poleiro do poder. Por outro lado, para os amantes da ideia de uma imediata explosão social no país, aquilo a que Alcinda Honwana apelidou de "acordar africano", o voto útil poderá ser no PAICV.

Indo ao que interessa, o voto, como diria um Bernard Baruch, pai da expressão "guerra fria", "votem no homem (ou mulher) que promete menos porque esse será o que menos vos desiludirá". Tenho para mim que para uma boa parte dos que não sejam "clientes eleitorais", o que importará no dia 20 de Março é votar naquele que dê indícios práticos de vir combater o capitalismo de compadrio consolidado nestes últimos 15 anos, tanto no poder central como no poder local.

[Na imagem capa do Expresso das Ilhas de hoje]