30/12/2015

Obey | Subvert

Os partidos políticos, a CNE e agora o PR devem ter uma adoração secreta pelo avestruz. O que eu sei é que o país está de férias desde da semana passada e ao que parece assim continuará até Janeiro de 2017. Obviamente este calendário já começa a ser violado e a senhora Juíza, para variar, reproduzirá a cultura de olhar para o lado. Os jovens irão continuar a achar que os políticos encontram-se distantes da sua realidade e alcançando uma pitada de poder, serão acusados do mesmo por outros jovens. Sobre o ano de excepção que se avizinha relembro este e este artigo referente ao ano de excepção de 2011 (e semi-excepção de 2012), assim como esta penta dimensão de olhares sobre a eleição, o voto e os desafios pós-2011, publicado pelo extinto Pulsar.   

E assim como quem não quer nada, mais este anúncio governamental...   

[Na imagem Situacionismo Punk Britânico. Autor desconhecido]

21/12/2015

Em meu pais o crime compensa! Vergonha...

Do célebre funaná dos finais dos anos de 1980, salvo erro dos Finason, explorando a imaginação social do sucesso masculino da época: uma casa na Praínha e uma mulher na TACV, em parte alcançado pelo Zemas, a verdade é que desde os anos de 1990 ouço falar dos sucessivos buracos na dita companhia de bandeira nacional, especialista em produzir milionários que por lá passam como gestores. Desta vez, no entanto, a coisa parece ganhar repercussões mais graves e levanta o véu a um problema estruturante que é a forma como os sucessivos governos têm gerido a coisa pública a partir de uma política de compadrio, produzindo gestores super heróis que ocupam simultaneamente vários cargos, ditos de confiança político-partidária, bloqueando jovens com melhores qualificações e capacidade técnica. Os dois últimos casos, da integração dos camaradas Júlio Correia e Lívio Lopes na IUE e ARE respectivamente, é apenas mais um episódio da orgia institucional reinante no país. Ao invés de se centrar a discussão se a maioria destes gestores super heróis têm perfil para os cargos nomeados e/ou convidados, a discussão deveria ser colocado na relevância do currículum dos mesmos para os trabalhos a que são contratados. Indo por esse caminho, os escândalos seriam bem maiores e a criminalidade não só ganharia novas caras, como poderia ser renomeada.

[Imagem desviada da net]

20/12/2015

Da escravidão mental

Para lá da reprodução da cultura do macaco e do papagaio, esta nova invenção chama a atenção pela alta dose de ignorância espelhada na cultura powa swag. Ninguém é obrigado a conhecer o contexto histórico e social da construção do termo kopu leti, no entanto, não custa nada uma breve pesquisa para que se evite o oceano de disparates desfilado neste vídeo, protagonizado por um grupo de borda kafé. A palavra em si contêm dois significados: o primeiro que tem subjacente a ideia de raça, do privilégio branco e o segundo que tem subjacente a ideia de classe, consequência da primeira. Por outro lado, de ponto de vista da pesquisa em ciências sociais, é tudo muito fascinante, sobretudo a mudança de significado que a apropriação e redefinição do termo kopu leti poderá trazer ao mais ou menos politizado termo di guetu, popularizado pela geração thug.  

Este texto, em formato work in progress, poderá servir de introdução...

Adenda: a repercussão nas redes sociais.

14/12/2015

Da série "o país da moda"

Quando se soube que Cabo Verde foi retratado no filme Get Hard, com Will Ferrell e Kevin Hart, como um paraíso para criminosos, caiu o carmo e a trindade. Um ano antes, no livro Zero Zero Zero, Roberto Saviano tinha apresentado Cabo Verde como um paraíso para narcotraficantes. A constatação mais óbvia é de que há informações que não chegam à redacção da Reuters...

Lígia, Zé Pote e José Jorge passam fim de semana fora da prisão sem autorização

Adenda: e é ler a última parte desta outra notícia... e esta achega do Ministro da Justiça. Pena que para os jovens encarcerados por crimes menos graves, a maioria proletários da economia do crime, portanto, sem influência em certas esferas públicas, não tenham as mesmas oportunidades de que fala o senhor Ministro.   

[Imagem]

08/12/2015

Da série "novos tempos velhos discursos"

A história repete-se. Tal como no pós-11/09, a França "civilizada" volta a colocar a Frente Nacional, cara da extrema direita europeia, na ribalta política. No mês passado, o fundador e ex-presidente desse mesmo partido, expulso no entanto, afirmou publicamente que a solução para a salvação europeia e o mundo branco passa pelo extermínio dos africanos. Do outro lado do Atlântico Norte, na campanha das eleições primárias republicanas para a Casa Branca, Donald Trump promete a proibição da entrada dos muçulmanos nos EUA. A pergunta que fica: o que fazer com os milhões de muçulmanos norte-americanos (e brancos)?

Adenda: e uma semana depois, a França chocada derrota a Frente Nacional e apoia Sarkozy...

[Na imagem ilustração da execução de Atahualpa, o último Imperador Inca, em nome da civilização cristã. Autor desconhecido]

01/12/2015

3rd ISA Forum of Sociology

No próximo mês de Julho, sob o lema "The futures we want: global sociology and the struggles for a better world", acontecerá em Viena, Áustria, o Terceiro Fórum de Sociologia, organizado pela Associação Internacional de Sociologia, com a finalidade de promover um tipo de pesquisa empírica, teórica e normativa orientada para o futuro, capaz de lidar com os problemas e oportunidades que muitas vezes atravessam as tradicionais fronteiras políticas. Apresentarei neste Fórum, com Alexssandro Robalo, a comunicação intitulada "Netus di Cabral i rivoluson. Youths, indigenization process and political protest in Cape Verde", que integrará o Comité de Pesquisa sobre a sociologia da juventude, na sessão intitulada Youth and social justice in the global south: building alternative strategies to entrenched social inequalities.

Baseado na observação participante da manifestação de 30 de Março de 2015 contra o Estatuto dos Titulares de Cargos Políticos e da ocupação do Ilhéu de Santa Maria contra a construção do Hotel-Casino no mesmo ano, pretendemos, por um lado, apresentar as motivações desses protestos e, por outro, discutir de forma exploratória a emergência dos movimentos juvenis surgidos em Cabo Verde nos últimos anos. A comunicação complementa a apresentada na Conferência Quarenta Anos de Independências, em Novembro último, em Lisboa, intitulada Jovens e protestos políticos num contexto de gestão de impossibilidades: discussão a partir do rap cabo-verdiano, ambos resultado de uma reflexão teórica-empírica mais ampla sobre as formas de participação social e política dos jovens em Cabo Verde.

As respectivas publicações serão o passo seguinte... 

[Na imagem cartaz do Fórum]