30/11/2015

(Re)lembrar Sandgrains


Isto dito em Paris, a propósito das vulnerabilidades dos Estados insulares, na Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. Isto dito pelo líder de um Governo de um Estado insular que assinou o pior acordo de pesca de um país africano com a União Europeia, ignorando as consequências sociais, económicas e ambientais negativas dessa irresponsabilidade política.

É voltar a ver Sandgrains...

[Na imagem cartaz do filme documentário, 2013]

27/11/2015

E assim continuamos...

A propósito desta notícia, Aquilino Varela escreve no seu mural de facebook o seguinte: "Denominar a situação periclitante em que se vive no Ensino Superior em Cabo Verde de dilemática constitui um tamanho eufemismo, Sr. Ministro Correia e Silva, Vossa Excelência, perante alguns nados-mortos que criou no Ensino Superior, das escórias que insiste em encomendar e contratar, dos silêncios e cumplicidades tidos, a continuar o macabro cenário que ensombra este subsistema, seguramente, será tido como um dos coveiros-mor do Ensino Superior em Cabo Verde. Só para lembrar, o Sr. Correia e Silva presidiu a primeira Comissão Instaladora para a Universidade de Cabo Verde, foi o primeiro Reitor desta Universidade, foi/é o primeiro Ministro de Ensino Superior, Ciência e Inovação de Cabo Verde, com poderes para inovar, regulamentar e fiscalizar esse subsistema. Tendo tido todas essas responsabilidades e poder de decisão, no Ensino Superior em Cabo Verde, os cidadãos cabo-verdianos devem, rapidamente, lhe exigir responsabilidades antes que a culpa morra solteira e o luto se venha impor". 

[Imagem de Misha Gordin]    

21/11/2015

Das continuidades coloniais...

Resquícios coloniais é quando, 40 anos depois das independências das ex-colónias portuguesas em África, numa conferência alusiva ao tema, organizado em Lisboa (subentende-se Metrópole), ouvir de um ex-embaixador do Brasil na CPLP, que os países pertencentes aos ditos Palop's são primitivos em matéria de democracia e direitos humanos (logo o Brasil cuja visão dos pobres, negros, mulheres e homossexuais é bem primitiva, sem falar da sua direita saudosista da ditadura militar). Mas, o maior dos cúmulos, é saber que esta é também a visão dos nossos poetas-pensadores (e de seus lacaios transformados em macacos e papagaios), pertencentes à corte de ensaístas, estes impostores transvestidos a intelectuais totais, vivendo como parasitas semiplagiadores dos trabalhos dos outros, praticando um tipo de filosofia sem sujeito, completamente distanciado da realidade social.

[Na imagem chegada da Coroa portuguesa ao Brasil. Autor desconhecido]

14/11/2015

A redefinição da violência

Desconfio sempre das análises positivistas e funcionalistas, sobretudo no que a violência diz respeito, no entanto, perante os últimos ataques de Paris, tenho a reconhecer que os conceitos bazar de violência, cerco urbano ou terceira geração de gangues desenvolvidos por John Sullivan fazem hoje todo o sentido. Contudo, o importante é lembrar que fenómenos como Estado Islâmico ou Boko Haram não nasceram ou desenvolveram do nada e em muitas partes do continente africano massacres do tipo acontecem semanalmente. Infelizmente, perante os últimos acontecimentos, as teorias de securitização ganharão ainda mais força a nível internacional, reforçando os sentimentos islamofóbicos e negrofóbicos.   

[Imagem do ataque de Boko Haram em Maidugari, Nigéria, Set/2015. Autor desconhecido] 

13/11/2015

Nós e a academia

O que ainda não entendo muito bem é o porquê das instituições universitárias cabo-verdianas teimarem em não divulgar publicamente nos seus sítios os curriculum vitae dos seus docentes e equipa directiva, já que o discurso oficial é qualidade e transparência.    

03/11/2015

Da série "o consenso é uma treta e seu promotor uma fraude"

Escreveu Ibn Khaldun, no século catorze, que um ciclo político fecha quando o luxo conseguido com a prosperidade de um povo desencadeia a corrupção e a decadência. Esta afirmação, dita quatro séculos antes das (re)elaborações teóricas dos chamados pais das ciências sociais, é hoje bem visível e sentida nas ilhas. O tal do "Fundão" é apenas uma pequena ilustração do "regabofe institucional" (também bem presente nas gestões camarárias) cabo-verdiano, conseguido graças à política de avestruz das instâncias internacionais com sede nesta nação gentrificada (segundo a perspectiva teórica de Pedro Marcelino). Como resultado, uma grande parte dos cabo-verdianos, sobretudo jovens, "querem ficar mas têm de partir"...         

[Na imagem slogan de campanha do MPD/2011, Mosteiros. Foto de RWL]