24/10/2015

Estado da Nação

A incompetência (individual, colectiva e institucional) é actualmente o maior desafio em Cabo Verde, fruto de uma política de emprego (nos sectores públicos e privados) baseada na lógica dos quatro ismos: nepotismo, amiguismo, partidarismo e cricalismo (assumindo toda a conotação machista que este último termo encerra). Não sendo uma invenção actual, o que alguma literatura nacional (e sobre o território nacional) evidencia é que esta lógica de dominação advém do processo de formação da sociedade crioula, reproduzida ao longo dos tempos por determinados grupos e instituições sociais, que bem tem sabido reconverter os seus capitais consoante os contextos sócio-políticos. A despolitização (que convém não confundir com partidarização) e a consequente anestesia social que se observa hoje na sociedade cabo-verdiana é resultado desta lógica de dominação. Sendo assim, quando as contradições explodirem, rompem violentamente manifestações de conteúdos conservadores tais como o nacionalismo exacerbado, fundamentalismos culturais/religiosos entre outras (re)alienações colectivas ideológicas inimigas da liberdade individual. Nisto tudo e apesar da intensificação dos discursos ocultos e a sua visibilização pública pelas mãos de algumas manifestações culturais, entre os quais o rap, é notório o resquício ideológico de um Charles Kingsley no discurso de alguns "turistas revolucionários", o que poderá resultar no bloqueio de possíveis mobilizações sociais nos próximos tempos. Sem falar das evidentes contradições ideológicas que este facto acarreta. 

[Na imagem citação de Guy Debord grafitado algures pelo mundo. Autor desconhecido]