27/10/2015

Nós e a narcocultura


E também pode entrar em Cabo Verde em contentores de empresas legais. Isto porque nunca se teve a vontade política de se seguir minuciosamente o dinheiro não obstante o discurso pomposo de luta contra a lavagem de capital.  

26/10/2015

No future

Em qualquer país exemplo em África e arredores em matéria de democracia e boa governação, quando se vai à televisão pública, em horário nobre, desconstruir simultaneamente a política económica governamental e a política eleitoral do partido que o suporta, o resultado só poderá ser este... e, sobre o activismo juvenil pós-pós-moderno, saudades tenho do espírito dos anos de 1990.

[Imagem de Banksy]

24/10/2015

Estado da Nação

A incompetência (individual, colectiva e institucional) é actualmente o maior desafio em Cabo Verde, fruto de uma política de emprego (nos sectores públicos e privados) baseada na lógica dos quatro ismos: nepotismo, amiguismo, partidarismo e cricalismo (assumindo toda a conotação machista que este último termo encerra). Não sendo uma invenção actual, o que alguma literatura nacional (e sobre o território nacional) evidencia é que esta lógica de dominação advém do processo de formação da sociedade crioula, reproduzida ao longo dos tempos por determinados grupos e instituições sociais, que bem tem sabido reconverter os seus capitais consoante os contextos sócio-políticos. A despolitização (que convém não confundir com partidarização) e a consequente anestesia social que se observa hoje na sociedade cabo-verdiana é resultado desta lógica de dominação. Sendo assim, quando as contradições explodirem, rompem violentamente manifestações de conteúdos conservadores tais como o nacionalismo exacerbado, fundamentalismos culturais/religiosos entre outras (re)alienações colectivas ideológicas inimigas da liberdade individual. Nisto tudo e apesar da intensificação dos discursos ocultos e a sua visibilização pública pelas mãos de algumas manifestações culturais, entre os quais o rap, é notório o resquício ideológico de um Charles Kingsley no discurso de alguns "turistas revolucionários", o que poderá resultar no bloqueio de possíveis mobilizações sociais nos próximos tempos. Sem falar das evidentes contradições ideológicas que este facto acarreta. 

[Na imagem citação de Guy Debord grafitado algures pelo mundo. Autor desconhecido]

23/10/2015

Conferência Quarenta Anos de Independências no ISCTE-IUL

Em Novembro terá lugar em Lisboa a Conferência Quarenta Anos de Independências, onde apresentarei com Alexssandro Robalo a comunicação intitulada Jovens e protestos políticos num contexto de gestão de impossibilidades: discussão a partir do rap cabo-verdiano. Baseada em pesquisas efectuadas junto de rappers e activistas sociais, pretende-se, por um lado, relacionar o mal-estar social e a (re)emergência da reinvindicação da identidade africana por parte de jovens em situação de precariedade com o Estado Pós-Colonial cabo-verdiano e, por outro, inventariar os desafios e as perspectivas desses jovens face a Agenda de Transformação liderada pelo Governo de Cabo Verde. 

Programa completo aqui.

21/10/2015

Mesa redonda 'di finason ti rap'

Em Cabo Verde (e pelas cidades globais desse mundo), em matéria identitária, existe hoje duas tendências juvenis bem visíveis: a maioria, crioulizada (que para alguns significa ocidentalizada) e uma minoria, africanizada (que para alguns significa radicalizada). Ambas, cada uma à sua maneira, encontram-se em processo de indigenização. O rap cabo-verdiano, uma de entre várias ferramentas identitárias ao dispor dos jovens nesse processo, encontra-se igualmente em processo de indigenização. Neste evento, a minha comunicação busca discutir através do rap (e da juventude urbana glocalizada) as actuais dinâmicas e contradições da sociedade cabo-verdiana, tendo a dita "cultura tradicional" como pano de fundo.

"Do finason ao rap: Cabo Verde e as músicas de intervenção", parte de um artigo maior no prelo, publicado Abril último no Buala,   

[Na imagem geração powa swag. Foto de Exotrik]

18/10/2015

Liberdade Já!

Por cá o silêncio... dos manos e dos cotas. Sobretudo dos auto-intitulados guardiões da liberdade. Entretanto, em Angola, apesar do mediatismo do caso Luaty Beirão, outros jovens encontram-se em risco de vida, entre os quais Albano Bingobingo, torturado pelos guardas prisionais no seu nono dia de greve de fome. Hoje, Nós e os Outros faz todo o sentido...
   
[Imagem sacado no mural do facebook de LBC Soldjah]

11/10/2015

Vigília pela liberdade dos presos políticos em Angola

Em Maio deste ano, na comemoração da III Semana Académica de Relações Internacionais & Diplomacia do ISCJS, fui convidado a comentar o documentário televisivo Activate - Angola: Birth of a Movement, que retrata a luta dos "Revus", um mês antes da detenção dos seus principais protagonistas. Quase quatro meses depois desta posta, os jovens activistas angolanos continuam detidos. Por cá, no país dos "Charles da moda" e do "turismo revolucionário", no dia 13, terça-feira, espera-se solidariedade para com os "Revus". 

[Imagem de Maky Silva]