22/05/2015

Quando a polícia mata

Nos últimos anos foram muitas as notícias sobre a brutalidade policial um pouco por todo o mundo. Em Paris, Atenas, Londres e várias cidades dos EUA o assassinato de jovens periféricos resultou em motins urbanos e união de gangues contra as forças policiais. No Brasil é o que se sabe. Em Portugal, esta notícia, na sequência dos últimos acontecimentos em Guimarães (e Lisboa) reforça a ideia de que a cor de pele conta, tendo em conta a barbaridade cometida pela PSP na linha de Amadora, no início de ano, contra activistas da Plataforma Gueto e os vários assassinatos, dos últimos anos, de jovens negros por parte da polícia nos subúrbios de Lisboa.

Por estas bandas, mais uma vez a polícia é suspeita de matar detido numa esquadra. A causa de morte, segundo a autópsia, é traumatismo cránio-encefálico e hemorragia interna. Mortes de jovens envolvendo polícias na cidade da Praia tem sido recorrente desde 2008 (por ser esta a data em que comecei a sistematizar informação a respeito), sem falar das torturas que os mesmos vem sofrendo dentro e fora das esquadras, legitimadas pelo tal programa securitário "Tolerância Zero" copiado nos EUA. Obviamente que para o povo que sofre uma espécie de cerco urbano há já alguns anos, "bandido é para liquidar".

Penso ser consensual a ideia de que a polícia para o melhor cumprimento dos seus deveres necessita de poderes especiais, que para além de serem limitados, devem ser orientados pelo interesse público e não o contrário. Imperativo é combater algumas ideias-força vigentes na cultura policial ou mesmo no imaginário popular de que o poder policial deverá ser ilimitado, porque os fins justificam os meios, sendo que a crueldade dos criminosos justifica qualquer acção violenta policial. O que não se toma em consideração nesse tipo de afirmação é que, por um lado, a reprodução da violência alimenta-se dessa premissa e que, por outro, a tendência humana para a crueldade não se encerra nos gangues de rua ou organizações criminosas.