28/05/2015

Publicado artigo sobre o hip-hop nos países africanos e no Brasil

Publicado no Brasil, na Revista Famecos, o artigo intitulado "Cultura de rua e políticas juvenis periféricas: aspectos históricos e um olhar ao hip-hop em África e no Brasil", escrito em parceria com Rosana Martins (Brasil) e Miguel de Barros (Guiné-Bissau). Partindo da genealogia africana do hip-hop, o ensaio busca analisar as acções culturais do hip-hop nos países africanos (sobretudo na chamada "África Lusófona") e no Brasil como possíveis mediações para novas práticas de sociabilidade e formas de representação social e identitária diante aos diversos conflitos presentes no quotidiano.

[Na imagem capa do vol. 22, n. 1 da Revista Famecos]

Da série "Grandes Primeiras Páginas"

Numa entrevista em 2012, publicada neste artigo, Batchart teve a seguinte afirmação: "Vês um dinassauro a fazer carreira na política. Lembras-te de ver a sua cara na parede do jardim-infantil quando eras criança, vais para o liceu e começas a votar e ainda ele está lá, mais tarde morre politicamente e dão-lhe um cargo numa empresa pública". O que precisamos neste país, citando Daron Acemoglu e James Robinson, é de uma destruição criativa, o que nem os "libertadores" nem os "democratas" conseguiram nos conceder.

*Título copiado no Der Terrorist.

[Na imagem capa do A Nação de hoje]

22/05/2015

Quando a polícia mata

Nos últimos anos foram muitas as notícias sobre a brutalidade policial um pouco por todo o mundo. Em Paris, Atenas, Londres e várias cidades dos EUA o assassinato de jovens periféricos resultou em motins urbanos e união de gangues contra as forças policiais. No Brasil é o que se sabe. Em Portugal, esta notícia, na sequência dos últimos acontecimentos em Guimarães (e Lisboa) reforça a ideia de que a cor de pele conta, tendo em conta a barbaridade cometida pela PSP na linha de Amadora, no início de ano, contra activistas da Plataforma Gueto e os vários assassinatos, dos últimos anos, de jovens negros por parte da polícia nos subúrbios de Lisboa.

Por estas bandas, mais uma vez a polícia é suspeita de matar detido numa esquadra. A causa de morte, segundo a autópsia, é traumatismo cránio-encefálico e hemorragia interna. Mortes de jovens envolvendo polícias na cidade da Praia tem sido recorrente desde 2008 (por ser esta a data em que comecei a sistematizar informação a respeito), sem falar das torturas que os mesmos vem sofrendo dentro e fora das esquadras, legitimadas pelo tal programa securitário "Tolerância Zero" copiado nos EUA. Obviamente que para o povo que sofre uma espécie de cerco urbano há já alguns anos, "bandido é para liquidar".

Penso ser consensual a ideia de que a polícia para o melhor cumprimento dos seus deveres necessita de poderes especiais, que para além de serem limitados, devem ser orientados pelo interesse público e não o contrário. Imperativo é combater algumas ideias-força vigentes na cultura policial ou mesmo no imaginário popular de que o poder policial deverá ser ilimitado, porque os fins justificam os meios, sendo que a crueldade dos criminosos justifica qualquer acção violenta policial. O que não se toma em consideração nesse tipo de afirmação é que, por um lado, a reprodução da violência alimenta-se dessa premissa e que, por outro, a tendência humana para a crueldade não se encerra nos gangues de rua ou organizações criminosas.

19/05/2015

Praia city... parte II

De ponto de vista simbólico Praia é cada vez mais uma cidade partida, mas é também uma miniatura daquilo que Saskia Sassen chamou de cidade global. Injuriada há décadas pela não aprovação do Estatudo Administrativo Especial por questões meramente politico-partidárias, houve sem dúvidas melhorias quando comparada com o reinado de Filú. Contudo, este artigo, publicado em 2011, actualmente em processo de aprofundamento, é um retrato fiel à tendência urbana actual da capital e para aqueles que acham que apenas critico, aconselho esta comunicação feita em 2013, por ocasião da comemoração do dia internacional de juventude.
  
[Na imagem Praia vista do miradouro natural de Palmarejo Grande. Foto de RWL]

17/05/2015

Maio de 68, DL e estado da nação

Quando vejo Grands Soirs Et Petits Matins dou conta que perdemos uma grande oportunidade de, pelo menos, tentar mudar a direcção das coisas... o cenário aqui descrito por Carlos Santos, pensado a partir do sector da comunicação social, serve para caracterizar qualquer outro sector em Cabo Verde... e estou completamente de acordo quando afirma que "temos de ter a capacidade de ir para além dos rankings, para além das estatísticas e analisar de facto a realidade".

06/05/2015

Maio de 68... 47 anos depois

É Maio, 47 anos depois do Maio de 68, tido como a segunda revolução francesa, década dos tumultos raciais, movimentos civis, radicalização dos movimentos estudantis e vésperas do nascimento do movimento punk. Por aqui, a discussão é se o primeiro de Maio foi ou não um fracasso, tendo em conta a manifestação dos (des)empregados e, exageradamente, alguém lembra-se de comparar o Março cabo-verdiano de 2015 a Maio francês de 1968... entretanto, como escreveu João Branco em Janeiro de 2009, a partir do blogue Spectrum, "a mudança de época assinalada por momentos de conflito social e de subversão do quotidiano que tomam as ruas das grandes metrópoles, ocupam espaços e atravessam corpos, redescobrindo o prazer cúmplice do jogo e a partilha da desobidiência". É caso para dizer que, infelizmente, vivemos num país sem memória social...

Maio de 68: revolta ou revolução? Documentário da TV Cultura para reflexão interna.

01/05/2015

Marcha de 1 de Maio

O Global Slavery Index de 2014 coloca Cabo Verde na posição 49, num total de 167 países, no que diz respeito à escravatura moderna, sinalizando 3200 casos. Contudo, a sociedade cabo-verdiana continua teimosamente apática e a tese de que ela encontra-se exageradamente institucionalizada e partidarizada mantêm-se intacta... sobre este ponto, 30 de Março de 2015 equivale o 11 de Outubro de 2011. O que se precisa é ressuscitar o espírito de batalha da geração pragmática de 1994. Num dia como hoje, On Modern Servitude para reflexão e quem nunca gritou "fuck you, i won't do what they tell me" não conhece o prazer da vida...

[Na imagem 'Marcha de 1 de Maio'. Foto de José Ferreira, 2015]