Michael Burawoy chama de engajamento
público o envolvimento dos pesquisadores no debate público, sendo os
compromissos políticos destes actores expressos através da sociologia pública
(uma forma de conhecimento reflexivo orientado para os públicos
não-académicos, em que estes se envolvem nos debates com os académicos
sobre assuntos de ordem política, social e moral, entre outros). Assim
como muitos activistas académicos desse mundo fora, desde 2011
tenho procurado colocar em prática um saber que, sem recusar o
escrutínio da academia e das suas diversas instâncias, possa contribuir
para uma acção política engajada, orientada para a discussão e a
concretização de uma agenda emancipatória. O objectivo é a construção
daquilo a que Pierre Bourdieu chamou de saber comprometido, que desafia e
transcende a fronteira de separação entre o conhecimento científico e a
intervenção no mundo exterior à academia. Nas palavras de Fernando Bessa Ribeiro, este posicionamento implica a
crítica de todas as práticas arbitrárias e autoritárias por parte dos
detentores do poder no interior das organizações e instituições, daqueles
que assumindo a agenda dita progressista, mais não fazem do que
servir-se dela para seu exclusivo proveito, assim como os que podendo
fazer alguma coisa, nada fazem por subordinarem tudo à construção da
carreira ou de um suposto poder simbólico.
Djumbai Libertariu
é um projecto criado em Março de 2014, em que baseado nos propósitos
acima referidos, procura apoiar os grupos envolvidos nas lutas sociais
(movimentos sociais, associações, comissões comunitárias...) no
aperfeiçoamento de suas práticas. O djumbai de último sábado, em Tira
Chapéu, sobre as formas de democracia partilhada,
teve na introdução Odair Barros Varela. O vídeo completo pode ser visto aqui.
[Na imagem DL de Safende, de 24 de Janeiro de 2015. Foto de RWL]
[Na imagem DL de Safende, de 24 de Janeiro de 2015. Foto de RWL]
