01/04/2015

A política foleira ou a foleirice na política?


O salário mínimo do país é 11 mil escudos e embora tivesse entrado em vigor em Janeiro último, muitos ainda não o recebem. Não se avançou mais porque foi dito que a conjuntura económica não era favorável. As cozinheiras das EBI's ainda hoje recebem menos do que o salário mínimo e apenas o recebem durante o ano escolar, ou seja, durante 9 meses. Contudo, a conjuntura é favorável para actualizar o salário dos titulares dos cargos políticos, que segundo o PM, pode até ser agora questionado e reavaliado, juntamente com o salário dos yes man, mas convém não tocar no salário do PR. Estarei eu a delirar ou o PM estará a preparar o assalto ao Palácio do Plateau?

Diz o ponto 2 do artigo 2 do polémico documento, que o vencimento do PR está sujeito à actualização periódica, tendo em conta a evolução da economia nacional e o contexto institucional. Do governo o discurso é que estamos em crise, estando assim em vigor medidas de contenção nas instituições. Da oposição o discurso é que o país está em recessão económica, tendo por isso adoptado o slogan "somos diferentes, fazemos diferentes".

Fosse a conjuntura outra não estaria contra, caso fosse retirado os exageros que mais servem para consolidar uma casta aristocrática à parte e fortemente militarizada. Afinal, sempre "defenderam o povo de Cabo Verde, durante todos estes anos"... e o povo de Cabo Verde é tão foleiro que não consegue enxergar esta dura verdade...

[Na imagem mini-manif de 27 de Março de 2015. Foto de MS]