31/03/2015

Os foleiros saíram à rua...

Segundo os dados do INE, em 2013, 49.9% da população cabo-verdiana com idade compreendida entre os 15 e 25 anos (35837 jovens) correspondiam à chamada "geração ni-ni", ou seja, não trabalhavam (desempregados ou inactivos) nem estudavam (nunca frequentaram ou frequentava mas não frequentou no momento do inquérito). Sal é a ilha onde este fenómeno preocupava mais (59.9%), seguido da Brava (59.4%), Fogo (57.1%), Santiago (51.5%) e Boa Vista (51.2%). Os nossos governantes (sobretudo os ligado às pastas do sector juvenil) provavelmente dirão que estes são aqueles que não quiseram aproveitar as tantas oportunidades para os jovens, preferindo fazer outras coisas. 

A aprovação dos Estatutos dos Titulares de Cargos Políticos serviu de gatilho para o assalto à rua, agora há que continuar as reivindicações de forma mais abrangente e ancorada num projecto alternativo que sirva de alicerce para futuras lutas populares. 

[Na imagem assalto à rua promovido pela MAC#114. Foto de RWL]

30/03/2015

A rua é e sempre foi dos street soldjas

Os protestos sempre foram inflitrados por oportunistas com agendas ocultas e em Cabo Verde houve a tentativa de partidarizar e criminalizar o de 1994. Contudo, não é por isso que não se sai à rua, desde que se tenha um projecto bem definido. Não o tendo, há que se ocupar o espaço rua ao estilo do "Occupy Wall Street" e construir em colectivo alternativas, evitando ao máximo que a coisa se torne swag ou em mais uma ejaculação social prococe.

E já agora, para lá do ser contra os Estatutos dos Titulares de Cargos Políticos e a favor do veto presidencial, há que se protestar igualmente contra o pornográfico salário dos gestores públicos e coordenadores dos projectos sem prova dada, a segregação das oportunidades e a uma espécie de exploração juvenil na Administração Pública em formato de estágios profissionais, entre muitas outras causas do nosso quotidiano.

Estando nós numa era pós-ideológica, um aporte teórico-empírico sobre as agendas políticas ocultas em Cabo Verde.

[Na imagem o A Semana de 18 de Abril de 1994]

27/03/2015

Sociedade de cunhas

Para lá dos discursos desencontrados em relação aos números do desemprego, a informação de que 90% e 80,3% dos inquiridos consiguiram emprego solicitanto directamente ao empregador e procurando junto de amigos, familiares, etc... (e este etc.. inclui partidos políticos e afins) quer muito dizer sobre o Estado da Nação.

[Imagem de Banksy]

26/03/2015

PROTESTO! by MAC#114

A coisa é simples: os "revolucionários" desta cidade que ocupem as imediações da Assembleia Nacional na hora avançada pela MAC#114 e os das outras ilhas e regiões os espaços simbólicos das suas cidades. Não participar é dar uma procuração de viola-me quando e como quiseres ao sistema político-partidário cabo-verdiano. 

Em modo Golpe di Stadu (Hélio Batalha com participação dos GPI).

[Na imagem cartaz de mobilização da MAC#114]

25/03/2015

O rei vai nú mas no reino da Dinamarca no pasa nada...

O cenário que se pode imaginar agora é um vale tudo rumo ao emprego mais rentável do país porque 2016 fica logo ali na esquina. Quanto a nós humanos só nos resta começar a ocupar as ruas a partir do dia 1 de Maio em protesto ao emergente (ou não tão emergente assim) estado de orgasmo simbólico...

E como ouvi hoje de novo da boca do Primeiro-Ministro que a nação é global, calculo que o bairro de Santa Filomena também faz parte da coisa... 

[Na imagem o que ainda resta do bairro de Santa Filomena, em Lisboa, novamente vítima de terrorismo do Estato português. Autor desconhecido]

18/03/2015

A "Conexão Lusófona" e o tráfico internacional de cocaina

O World Drug Report 2014 considera que embora a extensão do tráfico e consumo de droga em África ser de difícil avaliação por motivos que aqui não interessam, há indicadores que mostram que a circulação de cocaína entre as Américas e a Europa via África Ocidental continua bem activa. No ano de 2012, dos menos de três toneladas de cocaína apreendidas nessa sub-região, dois ponto dois toneladas foram apreendidas em Cabo Verde. 

[Na imagem mapa de cocaína apreendida na África Ocidental entre 2005 e 2007]   

10/03/2015

"Os acordos de pesca estão a matar o nosso mar"

Isto não representa novidade alguma, a não ser para os avestruzes do costume. Em relação ao mural da Achada Grande Frente, derrubou-se a parede com a mensagem poucas semanas depois da sua produção por alguém ainda por identificar, deixando apenas o desenho do atum no meio de um enorme entulho, no coração de um bairro em tempos de pescadores.

[Na imagem "Os acordos de pesca estão a matar o nosso mar" de Lorenzo Bordonaro, 2011]

04/03/2015

Gol Wayne e a nova fase do rap cabo-verdiano

"Opinião Pública" de Gol Wayne é um de uma centena de mixtapes de rap made in Mindelo (uns poucos do Sal) que DJ Letra deu-me a conhecer em Novembro último, no Sal, onde tive o prazer de participar com ele e com o old school Me2 numa espécie de mesa redonda sobre o hip-hop cabo-verdiano. O encontro foi promovido pelo activista sociocultural salense Ulissandro Reis, financiado pela CMS, numa ilha completamente partida onde o rap local tem matéria prima suficiente para brilhar.

CV Umdjor e Te Marchá P'Revolução são dois de dezassete faixas de um dos mixtapes com maior consciência política que já ouvi nos últimos anos no rap cabo-verdiano.

[Na imagem "Opinião Pública" de Gol Wayne, 2014]